o emicida entendeu a internet

02ago11

em 1967, quando lançaram o sgt. pepper’s, os beatles tiveram a sacada de botar as letras das músicas no encarte do vinil, além de brindes como, por exemplo, um bigode e um distintivo do sargento pimenta feitos para serem recortados por quem comprasse a bolachinha, coisa que até então ninguém havia feito ainda. ou seja, por ter um encarte interativo, o disco em si se tornou um evento independente de ter sido feito pelos beatles.

isso se repetiria notoriamente mais tarde nas capas do disco de estréia do velvet underground (onde era possível descascar a banana, que expunha um falo rosa) e do “sticky fingers” dos rolling stones (onde a capa do disco vinha com um zíper). ambas as capas foram feitas pelo andy warhol.

a partir daí as capas de discos (e o que girava em torno delas) passaram a ser parte fundamental da obra, ajudavam a contar uma história por trás das músicas. enfim, capa e encarte passaram a ser uma obra por si só. e é assim até hoje.

pois bem.

me impressiona que em pleno ano de 2011, quase cinquenta anos depois do sgt. pepper’s reinventar a roda, muitos artistas – principalmente os independentes –  ainda não dêem a devida atenção para todos estes detalhes que circundam uma obra musical. porra, um disco não é apenas a música, gente!

o emicida acaba de lançar um disco novo intitulado “doozicabraba e a revolução silenciosa”, produzido pelos norte-americanos k-salaam & beatnick em parceria com o the studio e que pode ser baixado gratuitamente por aqui. no entanto, o que me chamou mesmo a atenção foi exatamente o cuidado dele com esta parte extra-músical. 

sempre tive birra com artistas independentes que lançam disco grátis pela internet e não se dispõem nem a colocar a capa do álbum no mesmo arquivo. quantas e quantas vezes já baixei disco em site de artista e depois tive que ficar procurando a capa no google ou então tirar leite de pedra por uma informaçãozinha ralé sobre a ficha técnica do álbum. porra, se não quer divulgar o trabalho, melhor nem lançar disco, né!? dureza.

ainda preciso ouvir o álbum com calma, mas já deu para perceber que ele é bem mais calcado na música brasileira, com instrumentos que dão a sensação de terem sido gravados ao vivo, com músicos realmente tocando, ao invés de simplesmente usar um sample de violão ou de piano, por exemplo.

lembro que na época do lançamento do disco de estréia do emicida, lá em 2009, até disse aqui que o pulo do gato seria se enveredasse para este lado. que bom que ele optou por este caminho, faz muito mais sentido.

rap com banda é outra parada.

se bem que pelo que eu notei, este disco nem tem tanto rap falado. agora as canções tem mais melodia, a música é de fato cantada. está aí um dos trunfos que tem catapultado o nome do criolo e do próprio emicida nos últimos anos, para citar apenas dois exemplos.

em plena era do meta-dado, da informação rápida, constante e necessária, o emicida me surpreendeu porque simplesmente fez o óbvio. no arquivo .rar que contém as músicas, também tem uma pastinha com a capa, a contracapa, a ficha técnica do disco e um arquivinho do word com todas as letras. sem falar que quando você bota pra tocar no itunes, por exemplo, a música já aparece toda tagueada, com capinha, nome do disco, etc. coisa linda.

acho que poderiam até ter colocado um arquivinho com as cifras das músicas, mas tá valendo. aliás, pergunte ao renato russo qual a vantagem de ter fãs que sabem tocar suas canções no violão.

tomara que daqui pra frente isso vire regra e mais artistas independentes comecem a fazer coisas assim. é tão simples e ridículo que quando alguém faz algo deste tipo me dá até mais prazer em ouvir o disco.

alô independentes do brasil: não reclamem do descaso das gravadoras se, quando a responsabilidade está nas suas mãos, vocês demonstram o mesmo desleixo delas com suas próprias obras. internet não é bagunça não.

dá para baixar “doozicabraba e a revolução silenciosa” gratuitamente aqui. também está sendo produzido um documentário chamado “emicida: a ascenção”, como parte do projeto creators project, uma parceria com a revista vice. dá para ver o trailer do filme aqui.

esse aí entendeu a internet.



One Response to “o emicida entendeu a internet”

  1. segue o link da parte 1 do documentário sobre o Emicida:

    http://www.thecreatorsproject.com/pt-br/videos/the-rise-of-emicida

    Abs a todos


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