laura marling – “alas i cannot swim”

18maio08

No mundo da música pop é de praxe que a maioria dos artistas comecem a despontar com sua arte enquanto estão na casa dos vinte e poucos anos. no rock’n’roll isto fica mais evidente já que, em sua gênese, é um ritmo feito de jovens para jovens. junventude, neste caso, nada tem a ver com idade, pois sabe-se que existem muitos jovens de quinze, desesseis anos que parecem ter setenta anos de idade tamanha é a rabugice. ao mesmo tempo existe muito vovô de oitenta anos que deixa muito rapazinho no chinelo seja em disposição física, seja no quesito psicológico. dito isto, ficam as perguntas: qual é a idade mínima necessária para que uma pessoa se mostre um artista consistente? até que idade um artista ainda é relevante? existem, realmente, estes limites? este é um assunto que suscita vários argumentos conflitantes e, com certeza, gera uma discussão acalorada.

peguemos, então, o disco da laura marling. quem acompanha este blog sabe que a cantora é uma das queridinhas da casa já há algum tempo e presença constante por aqui. “alas i cannot swim”, o disco em questão, é uma pepita que põe em xeque todos os argumentos daqueles que dizem que idade é fundamental na música. vale até lembrar daquela famosa frase “não acredito em ninguém que cante blues e tenha menos de quarenta anos de idade. o blues requer uma alma calejada”. não me lembro quem disse esta frase (acho que foi o b.b king) mas não pude deixar de citá-la.

laura marling completou 18 anos em fevereiro último. ano passado chegou até a ser barrada do próprio show em um pub londrino por ser menor de idade e, por conta disso, resolveu se apresentar na frente do pub em questão. no meio da rua.

ao ouvir “alas…” têm-se a impressão de que a moça de voz aveludada já passou por muitos percalços na vida, já provou de muitos dissabores e sofreu por vários desamores. a maturidade das letras de laura realmente chamam a atenção se levarmos em conta que tratam de assuntos como depressão, morte, religião, infidelidade, egoísmo e solidão. não pelos temas em si, mas pela veracidade, coesão e coerência que saem por todos os poros de cada palavra dita pela cantora. esqueça os ataques de choro e falso sofrimento dos emos, aqui a coisa é mais complexa.

o disco é repleto de músicas que sugerem sempre algum conflito. seja entre um casal apaixonado que se vê separado por um rio (na faixa-título), seja num conflito de gerações com os pais (“tap at my window”); um casal com ciúme mútuo (“my manic and I”) ou então a batalha da própria laura consigo mesma para tentar acordar durante uma noite de pesadelos durante a infância.

o conflito de gerações existente nas letras de “tap at my window” e “new romantic” (música que até ganhou videoclipe mas acabou não entrando no álbum)  rendeu até certa indisposição com seus pais. laura teve que reunir os dois e dizer que se tratam de obras de ficção e que em nada têm a ver com a realidade. a primeira, segundo ela, é inspirado num romance de jane austen e tem os seguintes versos “mamãe eu te culpo/ por eu tentar ser o que você é/ papai eu te amo/ mas não te perdôo por me fazer do jeito que eu sou”.

tais temas são permeados pela música folk de arranjos simples e minimalistas e pela voz doce e pungente de laura que remetem a joan baez e, principalmente, a joni mitchell. assim como acontece com dylan e a folk music em si, o dedilhar suave do violão parece transparecer ainda mais a sensibilidade e veracidade das canções.

laura marling toca música folk “de raíz” mas também está ligada à música “moderna”. ano passado ela fez uma participação na faixa “suspicious eyes” presente no disco “ten new messages”, do the rakes e também emprestou vocais para “young love” single do novo álbum do mystery jets. ela também apareceu no programa do jools holland vestindo uma camiseta das spice girls.

este ano ela já se apresentou no south by southwest, este fim de semana tocou no the great scape e no meio do ano está escalada para o gigante glastonbury festival. apesar disso, ela parece querer evitar o hype e preferir ir ganhando notoriedade aos poucos. 

o termo “alas”, presente no título do álbum, segundo o que eu pesquisei, é uma interjeição muito utilizada por poetas de séculos passados para exprimir pesar, tristeza ou preocupação. algo como: “ó meu deus” ou “ai de mim”. 

“alas i cannot swim” foi produzido por charlie fink, vocalista do grupo Noah and the Wale (ao qual laura marling fazia parte até pouco tempo atrás) e já desponta como um dos melhores de 2008. num ano em que novas cantoras tais como adele, duffy, amy mcdonald e emmy the great parecem surgir como as sucessoras de lily allen e amy winehouse é laura marling quem parece ter mais potencial para, inclusive, tomar o lugar destas duas. talento não falta.

abaixo, ela tocando “ghosts”.

ah, só para apimentar mais ainda o lance sobre idade: robert johnson morreu aos 27 anos. a idade cabalística da música pop.



2 Responses to “laura marling – “alas i cannot swim””

  1. Incrivel a voz dessa garota
    Já esse album um milhão de vezes e não me canso.
    ^^


  1. 1 ah, laura… « let it blog

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