osama morre e a internet vence. de novo.

02maio11

domingo a noite estava meio parado. então resolvi entrar no twitter para descontrair e vi que ele já estava começando a borbulhar com a notícia da morte do bin laden. liguei na cnn e vi que era verdade.

enquanto isso na globo news (acho que) estava passando um programa sobre o airton senna. daí fui zapear pelos canais gringos. a RAI (da itália) estava falando sobre a beatificação do papa. TV5 (frança) e TVE (espanha) ainda não noticiavam nada. já a dw-tv (alemanha) estava começando a falar do caso.

pouco depois da cnn, a fox news começou a repercutir (pernósticamente, claro) a notícia. a bloomberg logo começou a dizer que as bolsas estavam subindo e a especular mercados, para variar. enquanto isso na tv aberta brasileira: grilos.

os primeiros relatos de que alguma coisa séria estava acontecendo vieram de sohaib athar, um consultor de TI que mora ao lado do prédio onde osama estava escondido. sem saber ainda do que se tratava ele começou a tuítar até com certo espírito esportivo tentando olhar para a parte meio cheia do copo. atenção para o conselho que ele te dá no último tweet.

segundo o new york times, o boato sobre a morte de osama surgiu na grande imprensa depois que um diretor de comunicação da casa branca tuítou que tinha ouvida a notícia de “uma fonte segura”

aí entra uma briguinha da cnn e do new york times: vários repórteres da rede de tv que eu sigo no twitter começaram a espezinhar o nyt dizendo que a cnn só havia começado a repercutir a morte de bin laden depois de ouvir três fontes diferentes enquanto o jornal apenas dava crédito a uma única fonte. business is business, né?

é interessante notar como a tv está perdendo a mão. com exceção da cnn que bancou a notícia e foi rápida ao repercutí-la, todas as outras emissoras pareciam estar em clima de domingo, com aquela preguiça pós-macarronada. no brasil a coisa foi ainda pior já que ficou claro que o jornalismo da tv aberta realmente só funciona em horário nobre, quando funciona.

querendo ou não, a morte de bin laden é um fato histórico (mesmo que apenas simbólico) e nos livros de história e política haverá um tópico “antes de bin laden e depois de bin laden“. enquanto isso, a imprensa no brasil dormia.

a band era toda afagos e apenas deu um pequeno plantão durante uma mesa redonda em que só faltou beijarem a testa do kassab (em dia de caos na fórmula indy em sp por causa do asfalto e da chuva). a globo se contentou em transmitir o discurso do obama com uma tradução simultânea tosca por cima. depois continuou com o filme do nicolas cage. e tudo bem.

globo news divulgando foto nitidamente falsa  do corpo do bin laden (criada pelo 4chan e que já circulava no twitter antes mesmo do obama se pronunciar). constrangedor.

infelizmente o jornalismo na tv aberta brasileira não está preocupado em informar a população. e quando o faz, é feito nas coxas, sem debate, sem análise, sem contexto. tratam a política nacional e internacional como um bicho de sete cabeças e depois reclamam quando o povo elege os tiriricas da vida.

dão espaço de forma descontraída (de novo: sem debate, análise ou contexto) para neofascistas tipo o bolsonaro e depois reclamam da resposta negativa da opinião pública e jogam o velho chavão vitimista do “cerceamento da liberdade de expressão” ou então da “polícia do politicamente correto”. a opinião pública proibindo liberdade de expressão? haja paciência, hein.

sem falar que, assim como “bullying”, “ecochato” e afins, o termo “politicamente correto” já foi banalizado e é sempre tratado com desdém geralmente por aqueles que se dizem contra algumas barbáries. pura indignação de araque.

a imprensa deveria é exercer o “politicamente responsável” ao invés de reclamar de policiamento, “ditadura democrática”, “ditadura do politicamente correto” e outras nomenclaturas bestas que adora instigar por aí.

nem sei como foi a cobertura na mídia impressa porque a morte do bin laden só deve ser noticiada por lá amanhã. é a internet dando um pau na mídia (de ideais) do século passado. outra vez.



One Response to “osama morre e a internet vence. de novo.”

  1. 1 Brasileiro sim senhor

    Vejo que você dá muito valor aos estrangeiros ou seja a outros países. deixe de ser vendido você é brasileiro nunca esqueça disso por mais que seja os problemas de nosso Pais. Nascemos aqui e aqui devemos honrar nossa pátria e não queimando-a. se o Brasil não se importou em noticiar, pode ter certeza que falta não faltou pra nos, pois a guerra só nos causa a dor.


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