documentário sobre “common people”, do pulp

29abr11

olha esse doc da bbc sobre a música “common people”, clássico do pulp. neste filme, jarvis coker volta para sheffield, sua cidade natal, para tentar encontrar a garota grega que inspirou a canção. daí, ele vai até a universidade onde estudou e esbarrou uma única vez na moça para tentar enfim descobrir qual era o seu nome, onde vive atualmente etc e tal.

obviamente, o filme aproveita para reunir outra vez os integrantes da banda e dá uma geral no britpop e em todo o zeitgeist da época que vivia o auge da guerra de egos entre blur e oasis, a volta do orgulho de ser britânico, a chegada do “progressista” tony blair ao poder depois de anos de conservadorismo, e a putaria rolando solta na família real britânica com a princesa diana e o príncipe charles em vias do divórcio e  trocando farpas na imprensa enquanto pulavam a cerca descaradamente sem o menor pudor.

enquanto isso o pulp era tratado como uma banda menor e sempre jogado para escanteio. todo essa megalomania que acontecia na inglaterra não agradava nem um pouco a banda e jarvis começou a explorar isso em suas canções que cantavam sobre o homem comum, aquele que trabalha das 8h às 18h e cujo único divertimento é gastar o salário no pub após o expediente e no dia seguinte fazer tudo de novo. nesse meio tempo ainda se arrisca em relacionamentos amorosos que quase sempre dão errado. tipo todo mundo.

taí uma coisa que eu sinto falta no rock brasileiro atualmente. ninguém mais parece estar interessado em cantar sobre coisas comuns, triviais, banais do dia-a-dia do jovem. quando não cantam em inglês, apelam para regionalismos muito restritos ou então para parnasianismos igualmente separatistas. aí fica difícil de criar uma identificação mais ampla com o jovem brasileiro.

goste ou não, acho que a última banda de rock que conseguiu adotar uma linguagem que fala com o “homem comum” brasileiro foi a legião urbana, quiçá o pessoal do mangue beat e os raimundos. essas bandas eram ao mesmo tempo urbanas, adotavam certos regionalismos e conseguiam cantar num português coloquial que criava identificação no universitário e no tiozin do camelô. ao mesmo tempo.

no brasil, ainda há uma divisão forte entre o rock e outros gêneros. uma pessoal que gosta de los hermanos “não pode” gostar de pagode, por exemplo. acho que o grande lance aqui é tentar entender por que o los hermanos não diz nada ao público que curte pagode e vice-versa.sem dúvidas há um ruído de comunicação aí. mas sou otimista, até pouco tempo atrás era inadmíssivel pensar numa mistrura do funk carioca com outras coisas. hoje o gênero já me parece bem mais assimilado pela “casta” roqueira, por exemplo. e querendo ou não o funk carioca é a legítima música eletrônica brasileira. aceite.

já reparou o poder impressionante do funk carioca de criar refrões em português (mesmo que sejam ruins)? e já reparou como o rock nacional contemporâneo é deficiente neste quesito? música pop É refrão. música pop É sobre o homem comum. dessa mistura tem que sair jogo. mas isso é outro assunto.

enfim, o documentário sobre o pulp está inteirinho no youtube e dá para ver abaixo. recomendo.

jarvis cocker é muito fodão.



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