radiohead e banksy: uma dupla do barulho

23fev11

depois do lançamento do clipe de “lotus flower” vi muito fã de radiohead indignado com as paródias e piadas que o vídeo sofreu por aí. alguns chegaram até a soltar o famoso discursinho de que “brasileiro não tem cultura, sempre esculhamba tudo bla bla bla…”. puro preconceito. ainda mais se pensarmos que as melhores piadas foram feitas por brasileiros.

o que essas pessoas não percebem é que é justamente com elas que o radiohead quer brincar. está na cara que a dança esquisitinha do thom yorke foi pensada para causar. não importa se você curte ou não a banda, não importa se você gostou ou não da música. o fato é que, querendo ou não, você ficou sabendo da existência do tal vídeo. e era isso que a banda queria.

desde o começo da década, quando eles resolveram fugir de rótulos criando músicas cada vez mais fora do padrão, thom yorke e companhia vem brincando com o poder midiático que possuem. o ápice, obviamente, foi com o lançamento do “in rainbows” em 2007, quando a banda descartou os intermediários e disponibilizou o disco em seu próprio site. a idéia era questionar a indústria e, consequentemente, o público.  o pensamento é simples: se eu vendo o disco da minha banda multinacional no meu próprio site será que eu apareço na parada da billboard? a resposta: não.

para que serve a parada da billboard então? por que o público se preocupa tanto com paradas de sucesso, premiações e todas essas bobagens?

este é o mesmo mote do filme do banksy. ali ele faz este mesmo questionamento em relação ao mundo das artes. afinal: arte de rua é mais arte na rua ou dentro de uma galeria? para que servem as galerias? no filme, a parte mais engraçada é quando mr. brainwash, o artista picareta, começa a colocar preços aleatórios em suas obras. um quadro com uma colagem que levou míseros dez minutos para ser impressa passa a custar dezenas de milhares de dólares quando pendurada na parede de uma galeria. sendo que essa mesma obra poderia estar na rua, de graça.

aqui vai um exemplo bem explicativo sobre o assunto. já faz duas semanas que banksy está fazendo intervenções em los angeles surfando na onda do hype uma vez que seu filme está indicado ao oscar, que rola no domingo.

acontece que uma de suas intervenções, um charlie brown com um galão de combustível na mão e um cigarro na boca (olha que perigo!), foi notícia essa semana porque o proprietário do muro grafitado simplesmente resolveu recortar a obra da parede e vendê-la no ebay. isso mesmo, o cara vendeu a parede na internet. abaixo o vídeo do muro sendo picotado.

e a resposta do banksy no dia seguinte:

voltando ao radiohead.

algum tempo depois do lançamento do clipe surge a informação de que toda a dancinha do thom yorke, na verdade, foi coreografada pelo renomado wayne mcgregor, coreógrafo inglês considerado um dos maiores nomes da dança moderna atual. imagine então a minha surpresa ao ver que algumas pessoas que no começo tinham zoado a dancinha bizarra agora já estavam começando a ver a coisa com mais “profundidade”. por outro lado, os que sempre defenderam o clipe aproveitaram para soltar o famoso “eu já sabia”.

enquanto isso thom yorke deve estar rolando de rir no chão da cozinha.

quando “the king of limbs” foi anunciado, a banda disse que este seria (talvez) o primeiro “newspaper album” já lançado. e o que seria exatamente este álbum jornal? ninguém sabe. dizem que the king of limbs é apenas o lado-b de um álbum maior a ser lançado nos próximos dias.

disco-jornal então seria um disco que é atualizado constantemente? uma obra em progresso? ou estaria o radiohead apenas tirando sarro do imediatismo da mídia? eu fecho mais com esta segunda hipótese.

pelo o que eu entendi até agora a idéia da banda é causar o máximo de exposição que conseguir antes de sair em turnê. é lógico que thom yorke sabia que minutos depois de ter o clipe veículado seu rosto estaria estampado em todos os sites de notícia do planeta e que viraria gif animado, paródia do youtube e todo tipo de piada na internet. para mim, o vídeo soa mais como uma paródia dos vídeos da beyoncé, da lady gaga e afins do que qualquer outra coisa. lembra quando saiu o vídeo de “single ladies”? o fuzuê não foi o mesmo?

para mim o conceito de disco jornal é uma crítica ao imediatismo do mundo (fãs e mídia inclusos). é um atestado de que você não precisa do aval de especialistas para gostar do que gosta. pouco importa se o coreógrafo é renomado ou não. pouco importa se o que você gosta está numa galeria chique ou numa parede sem reboco.

portanto, falem, escrevam, tuítem e retuítem bastante sobre o assunto. amanhã todo e qualquer jornal vira papel para enrolar peixe na feira. a dancinha do thom yorke foi só a primeira breaking news.

intervenção do banksy em ny. foto daqui.

* não sei se você se lembra mas em 2009 banksy e thom yorke meio que trabalharam juntos. na ocasião, o líder do radiohead lançou um clipe para a música “the hollow earth” – (se liga nesse título) – do seu disco solo onde algumas obras de banksy aparecem sobrepostas a imagens da cidade de londres.



One Response to “radiohead e banksy: uma dupla do barulho”


  1. 1 banksy te dá a real sobre a publicidade « let it blog

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