não me faça roubar: manifesto sobre o consumo de mídias digitais

18fev11

após um workshop realizado na suíça durante uma conferência que debatia os rumos das novas mídias e implicações da tecnologia na vida moderna realizada no começo do mês, um grupo de cerca de 20 participantes resolveu bolar o manifesto don’t make me steel se comprometendo a “nunca mais fazer download ilegalmente de um filme se houver uma alternativa legal” seguindo os seguintes critérios: 

* preço: em geral eu quero que o modelo de preços seja simples e transparente. eu não me importo com uma ligeira diferença de preços entre filmes com relação à idade do filme.

  • os aluguéis não devem exceder 1/3 do preço do cinema.
  • as compras não devem exceder o preço do cinema.
  • os preços mensais de taxa fixa não devem exceder 3 idas ao cinema.
  • os programas de TV devem custar 1/3 do preço de filmes.
  • os pagamentos são para o conteúdo, não pela velocidade de transferência.

* idiomas:

  • posso obter o áudio em qualquer idioma existente para o conteúdo.
  • depois de comprar um filme todos os idiomas estarão disponíveis.
  • fãs estão legalmente autorizados a criar e compartilhar legendas para qualquer conteúdo.

* conveniência:

  • o conteúdo pelo qual paguei deverá estar disponível imediatamente.
  • o conteúdo será entregue sem anúncios ou avisos pertubadores de infrações.
  • eu posso encontrar filmes ou programas de TV por ano, diretor, idioma, país, gênero, identificação iMDb, etc.

* escolhas e datas de lançamento:

  • a data de lançamento é mundial. Não há limites quanto ao país em que vivo.
  • eu posso baixar praticamente qualquer filme já feito.

* direitos:

  • eu posso assistir o filme em qualquer dispositivo, sem nenhuma diferença em como o filme é apresentado.
  • os filmes não estão vinculados ao prestador do serviço, e devem ser livres de direitos de reprodução (sem DRM) no caso de serem comprados.
  • eu posso entender facilmente os meus direitos sobre os filmes que eu alugar, comprar ou assistir on-line (streaming) a uma taxa fixa.

excetuando-se a parte sobre o preço dos tickets de cinema, esse manifesto me pareceu bem plausível, mas muito improvável. isso porque eu duvido que a indústria vá abrir mão do maldito drm tão cedo. no entanto, acho que já passou da hora deles aceitarem o digital de vez.

não entendo porque serviços como netflix e hulu, por exemplo,  ainda não se popularizaram no mundo inteiro. por outro lado, me parece que aparelhos como o slingbox, o wdtv e até a apple tv parecem estar ganhando cada vez mais força. os dois primeiros acho que até já estão a venda no brasil.

vai chegar um tempo em que  todos pagarão mensalidade para consumir cultura e entretenimento em casa. não me incomodaria em pagar um preço justo que me desse o direito de baixar os filmes, as músicas e os programas de tv que eu quiser em alta definição e de forma rápida e segura. a indústria do entretenimento precisa entender que a pirataria só existe porque ela oferece um produto melhor e mais conveniente que os meios oficiais.

em pleno século 21, pelo menos pra mim, não faz mais sentido esperar seis meses para assistir a um filme chegar ao brasil sendo que eu posso assistí-lo ao mesmo tempo em que ele estréia em nova york, por exemplo. se formos falar em discos então, a coisa é absurda. há artistas (inclusive brasileiros) que nem tem mais discos editados por aqui.

tenta comprar um disco da carmem miranda para você ver se existe. e o pior é que se surgir um torrent disponibilizando tal disco as gravadoras mandarão retirar do ar. quer dizer, elas detêm a obra, mas não a publicam. e ainda por cima proíbem você de distribuí-la mesmo que você não esteja ganhando nada para isso. absurdo!

para mim todos os discos, filmes, seriados e etc deveriam estar disponíveis na internet. não se pode negar acesso à cultura. as gravadoras e estúdios de cinema já deveriam estar fazendo isso há muito tempo. o bom do digital é que nada se perde para sempre. apagou o arquivo?, bota no ar de novo. o custo de manutenção é infinitamente menor.

sério, me diz o que impede de um filme ser lançado ao mesmo tempo no cinema e para download de forma oficial? porque já não disponibilizam em vários formatos ao mesmo tempo e com diversos aperitivos em cada formato?

por exemplo: foi assistir ao filme no cinema? legal, no ingresso tem um código que você pode digitar no site oficial para ter acesso a posters, making of, etc. baixou o disco no site oficial? ótimo, no show você tem tantos por cento de desconto na compra de uma camiseta da banda. simples. uma coisa não exclui a outra.

porque os piratas (geralmente um moleque com conexão rápida num quartinho minúsculo) conseguem disponibilizar um capítulo de lost já legendado e em alta definição poucas horas depois que o episódio foi exibido nos eua e os estúdios não conseguem? sério, não consigo entender.

acho que já disse por aqui: preço justo e conveniência é o que vai salvar a indústria do entretenimento. para mim, é muito mais fácil pagar dez reais num disco digital oficial que já venha em 320kbs, com capinha, letras e ficha técnica do que ficar procurando arquivos no rapishare ou no megaupload em qualidade sofrível.

também não vejo a hora em que o sistema de televisão digital brasileiro vai, de fato, ser implantado no país com a sonhada interatividade. vamos agilizar essa porra aí governantes!

faz muito tempo que evito ir ao cinema por causa do preço alto e porque não tenho mais paciência de ficar aguentando moleque mexendo no celular e mascando pipoca do meu lado enquanto quero assistir ao filme. é muito melhor baixar o filme em hd e assistir na minha tv gigante de sei lá quantas polegadas na hora que eu quiser. entende?

não por acaso o radiohead anunciou que the king of limbs, o novo disco deles, começa a ser vendido amanhã (adiantaram para hoje!), de forma paga, através do site oficial em formato digital e físico. sem intermediários.

ironicamente nomearam a iniciativa “newspaper album”. em plena era de crise de formatos da mídia digital a banda volta para balançar o coreto outra vez. alguém duvida que vai ser um sucesso de vendas, de novo?

daqui para frente os discos serão lançados de forma digital pelo itunes? através de um aplicativo de celular? via streaming? sinceramente, pouco me importa. o importante é que eu, enquanto publico, possa escolher o que for melhor pra mim.

vários modelos de negócio são possíveis, basta querer ganhar dinheiro de forma inteligente. tratar o consumidor como inimigo é o primeiro passo para a falência.

donos do dinheiro: por favor, não me façam roubar.



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