melhores discos internacionais de 2010

14jan11

sem ordem de preferência:

* “innerspeaker” – tame impala

esta banda australiana faz rock retrô que remete principalmente a jimi hendrix e à fase mais psicodélica dos beatles (“tomorrow never knows”). ainda tem pitadas de led zeppelin pink floyd. não reiventa a roda mas chama a atenção por conseguir timbres impressionantes que se um desavisado ouvir este disco achando que foi feito em 1967 é bem capaz dele acreditar. naftalina pura.

* “have one on me”joanna newsom

conheço muita gente que ainda tem certo preconceito com a joana newsom porque ainda tem aquela imagem dela de “ninfa-hippie que toca harpa” que a caracterizava nos primeiros discos. pois eu digo para deixar o preconceito de lado e ouvir este “have one on me”. pelo que andei percebendo o disco foi meio que deixado de lado das listas de melhores do ano por aí. injustiça. esse é o disco mais bonito lançado em 2010. joanna tem uma das vozes mais bonitas do pop atual e suas letras se desenvolvem de forma instigante como se desenrolassem novos mundos a cada verso. é um disco triplo (?!) e pode não ser assimilado muito bem nas primeiras audições mas, com um pouco de insistência, vale muito a pena.

* “brothers” – the black keys

com este álbum, os black keys finalmente alcançaram o sucesso comercial que merecem chegando ao 3º lugar nas paradas norte-americanas e, segundo números da billboard, já conseguiram vender meio milhão de cópias do disco desde seu lançamento. tudo isto se deve a simplesmente uma coisa: música pop bem feita. a fórmula aqui é o mesmo blues-rock que a banda sempre fez, mas desta vez, quase todas as músicas do disco são assoviáveis e grudam na cabeça. e finalmente um disco conseguiu a proeza de transformar riffs de guitarra em refrão, coisa que acho que não via acontecer desde “steady as she goes”, do raconteurs. e duvido que alguém não saia assoviando “tighten up” depois da primeira audição. ps: graças a “brothers”, em 2010 paguei vários micos fazendo air drums parado no trânsito, coisa que só o “nevermind” conseguiu. ahaha.

* “the fool” – warpaint

depois de um bom ep lançado em 2009, esta banda formada apenas por mulheres lançou “the fool”, seu disco de estréia. o álbum surpreende por evitar se enquadrar em qualquer estilo e não facilitar a vida do ouvinte. com excelentes vocais e linhas de baixo, o warpaint mostra que ainda é possível fazer um disco experimental e ainda sim não soar chato ou pedante. na minha opinião, ao lado do dirty projectors, o warpaint é uma das poucas bandas que realmente fazem um trabalho diferente e que levam a música pop pra frente em 2010.

* “this is happening” – lcd soundsystem

james murphy é uma das figuras mais instigantes do pop atual. por ser um dos maiores hitmakers desta primeira década de século, murphy a cada disco aumenta mais e mais sua importância e influência. ao lançar “this is happening” disse que este é o último disco da banda e que “está cansado desta indústria”. chegou até a fazer uma ceninha durante um show implorando de joelhos no palco para que os fãs não baixassem o disco antes de seu lançamento oficial. tudo balela. não me espantaria se ele surgisse com disco novo ainda em 2011. e ele está pouco se lixando se você faz download ilegal.

este talvez seja o disco mais irônico que murphy já fez, onde tira sarro de todos, inclusive de si mesmo. questiona a indústria e os fãs em “you wanted a hit”, uma música de nove minutos que fica a maior parte do tempo numa batida monótona até desaguar num belo hit de pista. sem falar no clipe de “drunk girls” (outro megahit) onde se coloca como mero joguete nas mãos de pessoas mascaradas que, num primeiro momento se mostram amigáveis, mas que pouco depois não se furtam em achincalhar com a banda. seriam essas pessoas sem rosto do clipe os fãs? as gravadoras? a imprensa? eu e você? vale lembrar que, além de músico, murphy também é executivo da indústria já que é dono do selo dfa, que lança os discos do lcd soundsystem que, por sua vez, são distribuídos pela gigante emi.  portanto, ele está dos dois lados do balcão. é ao mesmo tempo patrão e empregado. não à toa, na capa do disco ele está todo engravatado e… dançando. james murphy está tirando sarro da sua cara e quem está achando graça é você.

“You wanted it real
But can you tell me what’s real?
There’s lights and sounds and stories
Music’s just a part
We fake it, fake it all the time”

quem é o trouxa desta história?

* “crazy for you” – best coast

geralmente o termo “lo-fi” é utilizado por algumas bandas como muleta para justificar a falta de talento. não sei se é bem o caso do best coast, mas não há como negar que “crazy for you” é um disco mal feito, mal tocado e muito tosco. o clima aqui é de descompromisso total, com letras banais sobre amores, desamores, maconha e vagabundagem sob o sol da califórnia. versos como “i wish my cat could talk” de “goodbye” ou “I want to hit you/ but then I kiss you/ Want to kill you/ but then I’d miss you / You drive me crazy/ but I love you/ You make me lazy/ but I love you” da canção título exemplificam bem o clima do álbum. bethany cosentino, a vocalista e principal compositora, definitivamente não sabe cantar mas coloca suas letras em melodias pegajosas de um modo que acaba fazendo você apertar o botão de repeat sem perceber. é estranho, mas é verdade. melhor banda ruim de 2010.

*”the suburbs” – arcade fire

mais do que os discos anteriores, “the suburbs” me parece um álbum de rupturas para o arcade fire. é uma espécie de exorcismo artístico. se antes eles já fizeram isso contra o culto desenfreado em “neon bible”, agora eles apontam a mira para a classe média, para a grandiloquência do mundo (uma máquina de moer carne) e contra si mesmos. estão na mesma sinuca de bico que o lcd soundsystem, querem ser grandes sem serem grandes demais. os subúrbios aqui seriam exatamente o lugar perfeito para a banda sobreviver: longe o bastante das luzes e  loucura do centrão mas ainda sim fazendo parte de uma grande cidade. o disco é quase um manifesto de que é possível ser mainstream e caminhar tranquilamente pelo underground. “eu aprendi a dirigir nos subúrbios, e você falou que não iríamos sobreviver” canta win butler na faixa título. sobreviveram. “the suburbs” chegou ao topo das paradas ultrapassando lady gaga e afins. no entanto, “rococó” deixa no ar um futuro musical diferente para a banda. se a cada disco ele utilizam cada vez menos aquela epifania sinfônica que os celebrizou em “funeral” é de se supor que após este “the suburbs” (o disco de acerto de contas consigo mesmo) a banda rume para uma roupagem totalmente diferente e mais experimental do que já foi feito até aqui. aposto que vão deixar o rococó de lado e jogar o tudo ou nada no próximo álbum sem medo de arriscar. aguardemos.

“Wanna wash away my sins/ In a prison cell, my friends… You and I, we head back east/ To find the town where we can live/Even in the half light we can see the sun/It’s gotta give”.

* “the archandroid” – janelle monáe

duas coisas me instigam em janelle monáe: 1. ela é jovem e ousada 2. ela é jovem e ousada o suficiente para acreditar no próprio taco e lançar um álbum conceitual logo na estréia. “the archandroid” é um musical sci-fi inspirado em filmes como “metropolis” do fritz lang (1927) e “matrix” dos irmãos wachowski e conta a história (iniciada no ep “metropolis suite I of IV: the chase”, de 2007) de cindi mayweather, a andróide alter ego da cantora em um mundo robotizado. a meu ver, essa arrogância da cantora é muito saudável, principalmente se pensarmos que praticamente todos os artistas negros dos eua a exibem a torto e a direito mas se esquecem que apenas são o que são por estarem amparados por imensas máquinas de marketing e publicidade (né, kanye west?). ok, janelle é apadrinhada pelo puff daddy e pelo big boi do outkast (ambos produtores do disco), mas aqui fica evidente que quem decide sobre os rumos do álbum é ela. e basta ver suas entrevistas para notar que a cantora é bem bocuda.

ao contrário de outras cantoras negras americanas como a beyoncé, por exemplo, janelle não se submete ao padrão loira gostosa e rebolativa com coreografias ensaiadas a lá michael jackson. pelo contrário, o visual da cantora é quase masculino, sempre vestindo ternos bem cortados ao estilo anos 60 e com passos de dança que remetem a james brown e à velha guarda da soul music pendendo sempre ao improviso e à espontaneidade. esse retrofuturismo da cantora é um belo respiro na música negra americana mainstream que anda cada vez mais capenga. mas janelle monáe ainda tem muita estrada para percorrer.



2 Responses to “melhores discos internacionais de 2010”


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