discoteca: “efêmera”, tulipa ruiz

21set10

dia desses estive fazendo uma análise mental nada confiável comigo mesmo e me dei conta que, nos últimos dois ou três anos, os discos que mais ouvi e apreciei foram feitos por mulheres. também me dei conta que vocais femininos me apetecem cada vez mais. charlotte gainsbourg, cat power, laura marling, pj harvey, céu, lulina, stela campos, amy winehouse etc, sem falar nas cantoras “velhas” que não lançam mais nada novo ou aquelas que já morreram foram figuras constantes nos meus ouvidos de uns tempos pra cá. algumas até apareceram aqui neste blog.

no brasil, até pouco tempo atrás havia (acho que ainda há) uma onda de “novas divas” da mpb (que eu acho meio sacal, vale dizer). portanto, é inevitável notar que elas estão dominando o cenário. e acho que é mera questão de tempo até que apareçam novas compositoras que, além de fazerem letra e melodia, também dominem instrumentos musicais (o que ainda é raridade no brasil).

dentre as novas cantoras nacionais que surgiram nos últimos anos a que mais me chamou a atenção (ao lado da céu) foi tulipa ruiz. vinda de uma família de músicos (seu pai, luiz chagas, foi guitarrista da banda de itamar assumpção, seu irmão é produtor, e ambos participam de “efêmera”), a cantora tem uma voz tão bonita que chega a doer. é daquelas cantoras que dão a impressão que conseguem fazer o que bem entenderem com a voz. e “efêmera”, seu disco de estréia, é de uma nitidez vocal impressionante.

ao contrário dessa nova onda de “divas” da mpb, tulipa prefere tomar um outro viés que, na minha opinião, é infinitamente mais interessante: o pop. e assume isso da forma mais genuína e honesta possível. é música para se apreciar em pouco mais de três minutos e que são suficientes para transmitir ao ouvinte uma alegria imediata, mas conscientemente efêmera. e você sabe (ou deveria saber) que há muita beleza no efêmero.

além de arranjos muito bem feitos (com destaque especial para as linhas de baixo) e criativos, as canções apresentam letras espertas com um coloquialismo que ainda é caro ao pop nacional. seja na displicência de contar uma historinha sobre chegar atrasado na sessão de cinema em “pontual”, na lascividade lírica de “pedrinho”, no bolero-disco music de “brocal dourado”, ou na alfinetada sobre o modus operandi (da indústria musical?) do novo pelo novo em “efêmera”, o disco se mostra redondo, sem rebarbas ou exageros estilísticos.

com participações especiais de céu, kassin, thalma de freitas, tatá aeroplano e mais uma porrada de gente, “efêmera” mostra que a mpb vai muito bem, obrigado. e que combina muito bem com música pop no sentido mais amplo da palavra. a saber: a capa do disco é de autoria da cantora, que também é desenhista e ilustradora.

olha o vídeo de “as vezes” que, ao lado da música-título, é um dos hits que puxam o disco.

notou alguma influência de rita lee nesta música? pelo que eu ando percebendo, ela vai ser grande influência no som das novas cantoras nacionais nos próximos anos, principalmente o lado mais pop da rita. pode reparar.

dá para baixar o disco aqui.



One Response to “discoteca: “efêmera”, tulipa ruiz”


  1. 1 música nova da tulipa ruiz « let it blog

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: