copa do mundo e o oportunismo publicitário

17jun10

ano de copa do mundo é um prato cheio para publicitários encherem o bolso. acho que a coisa começou a ficar profissional mesmo na copa de 1994 nos estados unidos, meca da publicidade. já a copa da frança em 1998 foi a primeira vez em que apareceu os jogadores-multinacionais. se bem me lembro foi lá que começou essa onda de jogadores patrocinados por empresas de material esportivo. foi nessa copa que as empresas começaram a faturar com chuteiras personalizadas, por exemplo. lembro que o blanco, principal jogador do méxico em 1998, foi o primeiro jogador a disputar uma copa do mundo com chuteiras brancas, da adidas. um escândalo na época. 1998 também foi o ano em que nasceu o produto david beckham.

mas o caso mais notório e polêmico do casamento entre futebol e publicidade foi o contrato da nike com seu garoto propaganda mais rentável: ronaldo fenômeno, na época,  apenas ronaldinho. o contrato dele com a empresa americana é vitalício, não podendo ser rompido pelo menos até o jogador se aposentar. inclusive as pernas dele estão no seguro. ou seja, se por ventura, ronaldo ficar paralítico nesse meio tempo a nike paga todos custos ao jogador pelo resto de sua vida. é sério.

é daí que vem o boato da nike ter inventado a história da convulsão dele na final da copa de 1998 como forma de pagar uma dívida com os franceses e como garantia de que a copa de 2010 fosse realizada no brasil. as teorias conspiratórias erraram por quatro anos, mas ninguém provou o contrário também. ahaha.

2002 talvez tenha sido o auge da publicidade na copa do mundo. o valor arrecadado pela fifa neste ano foi quase o triplo de quatro anos antes, quando a entidade estava quase pedindo concordata. joseph blatter, capitalista de mão cheia, tomou posse no mundial da frança e transformou o campeonato no maior evento esportivo do planeta.

em 2002 praticamente todos os jogadores da seleção brasileira estrelaram campanhas publicitárias antes da copa, fato inédito até então. venderam de cerveja a eletrodomésticos, de carros a lâminas de barbear. na época saiu uma lista em que dizia que ronaldo sozinho tinha faturado antes da copa quase o dobro do bicho que receberia da fifa se o brasil fosse campeão. foram nada menos que oito campanhas sendo exibidas simultâneamente na tv em pouco mais de um mês. a seleção teve sete partidas no mundial inteiro. ou seja, ele teve participação maior fora do que dentro de campo.

a copa de 2006, com a seleção cheia de milionários e vários jogadores com título de melhor do mundo, parece ter sido a ressaca disso tudo com desempenho pífio dentro de campo e jogadores mais preocupados com contratos do que com futebol. deu no que deu. este ano o dunga deixou os superstars de fora e levou seu bando de ovelhinhas para a áfrica em regime fechado. ironicamente, desta vez, quem mais aparece vendendo produto na tv é o próprio técnico, garoto propaganda de cerveja e celular.

essa semana aconteceram duas coisas que me chamaram a atenção. a chamada “publicidade de guerrilha” atacou forte nos gramados da áfrica. primeiro com o mundialmente famoso cala boca galvão sendo exibido (mesmo que por alguns poucos segundos)  para o mundo inteiro.

via

essa onda de botar uma faixa estratégicamente posicionada acima das placas de publicidade na beira do campoàs vistas das câmeras,  já tinha sido usada pelo brasil em duas outras copas recentes. em 2002 e 2006 o sistema coc de ensino, rede de escolas famosa no interior de são paulo, já tinha adotado esse mesmo esquema colocando sua marca em posição estratégica nas laterais do campo e atrás dos gols durante os jogos do brasil. a escola tem unidades no japão e na alemanha, se não me engano. tentei achar um screenshot no google e não encontrei, se alguém tiver me passe, por favor. na época a escola afirmou se tratar de uma ação de alunos e disse que não tinha nada a ver com a história. ahã.

essa semana torcedoras holandesas (foto que abre o post) foram presas por usarem vestidos da bavaria, cerveja holandesa, no jogo contra a dinamarca. a cerveja oficial da copa é a americana budweiser. já a seleção laranja é patrocinada pela heineken, outra holandesa.

o cara que bolou a ação publicitária foi espertíssimo. note que a marca da cervejaria aparece muito discretamente. no entanto, a camiseta da torcedora estampa um imenso qr code.

para quem não sabe, qr code é uma tecnologia (nem tão nova assim) derivada do código de barras muito usada em campanhas publicitárias e que gera conteúdo digital. explico.

ao se apontar uma webcam ou a câmera de um smartphone para o tal do qr code, imediatamente é gerado um conteúdo digital no aparelho onde geralmente o consumidor é exposto a  mais informações do produto em questão. também pode ser usado da seguinte forma: pense que na sua cidade vai ter um show de alguma banda gringa e um outdoor na avenida da sua cidade exiba um qr code. basta apontar a câmera do seu celular em direção ao código que você tem informações sobre o show ou quem sabe pode até comprar ingressos através dele. o vídeo abaixo explica bem como funciona o sistema.

ok, tudo bem que é antiético fazer essa propaganda na moita, mas nada justifica a truculência da fifa com as torcedoras holandesas que foram presas e passaram o dia inteiro na delegacia. tudo por usar uma camiseta do concorrente. acho que a maioria das pessoas assistindo à transmissão do jogo pela tv não percebeu que as loiras gostosas da torcida holandesa estavam ali fazendo merchandising. só ficaram sabendo porque foi noticiado que elas haviam sido presas após a partida. e até quem não gosta de futebol ficou sabendo da história. ou seja, o negócio cresceu e se tornou um viral exatamente como seus idealizadores queriam. valeu a pena, blatter?

é impressionante o protecionismo da fifa quando é o seu lucro que está na reta. além de não fazer nada para ajudar os países sede na realização da copa (a entidade não investe em nada, fica tudo por conta de governos e iniciativa privada dos países anfitriões), fazer uma lista de exigências absurda e tacanha (em relação a estádios, hospedagem e estrutura em geral) ainda fica com a maior parte da renda arrecadada com o evento. sem falar na truculência policial evidenciada agora.

a faixa do galvão foi retirada do estádio nos primeiros cinco minutos de jogo. quem tirou: a fifa ou (é mais provável) a globo? e fica por isso mesmo? quer dizer que se eu for no estádio com a camisa do corinthians patrocinada pela samsung eu vou ser retirado do estádio porque a sony é patrocinadora oficial do senhor blatter? e o dinheiro do meu ingresso vai pra quem?

santa ignorância, batman.



One Response to “copa do mundo e o oportunismo publicitário”

  1. A grande diferença entre esses dois modelos de CPM é que no primeiro Facebook irá exibir um anúncio para todo público alvo,
    fazendo com que ele seja exibido várias vezes para a mesma pessoa.


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