george lucas e o cinema analógico

22maio10

você sabe como foi feita a abertura de “star wars”? acredito que, assim como eu, você achava que tinha sido feita com recursos toscos dos primórdios da computação gráfica, né? na verdade foi feito tudo da forma mais simples e prática possível. o diretor da franquia mais rentável da história do cinema simplesmente projetou o texto de abertura sobre uma placa de cerca de 1,80m de comprimento e moveu lentamente a câmera para trás sobre a tal placa para dar a sensação de infinito. simples assim, como mostra a foto acima.

essa descoberta não chega a espantar, pois apesar da quase onipresença de efeitos digitais nos inúmeros episódios de “guerra nas estrelas” é sabido o apreço que george lucas tem por tecnologias analógicas. se você reparar bem, ele sempre projetou um futuro sujo, gasto, empoeirado. dificilmente você vai ver um cenário futurístico nos filmes de george lucas onde tudo é branquinho e limpo como acontece na maioria dos filmes de ficção científica. e isso é proposital.

em 1968, ainda jovem, lucas teve a chance de realizar seu primeiro filme “grande”, de estúdio, fora da faculdade. ainda que o orçamento fosse limitadíssimo, o cara teve a ousadia de fazer uma ficção científica, “thx 1138”. o filme estava praticamente fadado ao fracasso uma vez que, naquele ano, “2001: uma odisséia no espaço” já havia entrado para a história e já era referência para todo e qualquer filme do gênero.

a idéia de lucas em “thx” (na minha opinião, seu melhor filme até hoje) era exatamente subverter essa estética clean do filme de stanley kubrick. enquanto em “2001” tudo era herméticamente fechado, branco, bem pensado (repare que no filme todos os personagens são super bem vestidos em terninhos impecáveis e bem alinhados), um ambiente quase asséptico, nos filmes de george lucas o futuro é retratado como o mundo em que vivemos, só que alguns anos no futuro.

em “thx 1138” os cenários se assemelham a grandes fábricas ou shopping centers dos anos 1960, os veículos são motos e muscle cars antigos que simplesmente foram tunados para parecerem futuristas e correm em grandes rodovias e anéis viários subterrâneos dos estados unidos. neste mundo, o universo branco dos filmes de kubrick até existe, mas lucas deixa claro que se trata apenas de uma versão distorcida da realidade.

essa característica do diretor muitas vezes se sobressaiu por causa do orçamentos apertados de alguns filmes, principalmente os primeiros. mas também tem outra explicação: george lucas, steven spielberg e outros companheiros de geração são apaixonados pelos primórdios da ficção científica no cinema. sempre foram aficcionados pelo pioneirismo de “king kong”, “frankenstein”, “metrópolis” ou então pelos filmes americanos dos anos 1940 e 1950 que primeiro abordaram a invasão alienígena na terra, como “o dia em que a terra parou”, por exemplo, que foram feitos na raça, com os parcos recursos tecnológicos que existiam em suas respectivas épocas.

essa estética do futuro gasto também serviu de referência para filmes como “planeta dos macacos” (também de 1968), por exemplo, onde tudo era feito de forma analógica e quase sem efeito especial algum, com os atores tendo que usar máscaras e maquiagem pesada para se parecerem com os primatas. sem falar nas locações no deserto, um elemento/metáfora importantíssimo nas ficções científicas pós-kubrick.

apesar do sucesso de “star wars” ter sido catapultado pelo uso de tecnologias digitais, como a criação de explosões espaciais e os famosos sabres de luz, o caráter analógico é evidente na série de filmes, que retrata um futuro onde as máquinas não funcionam perfeitamente, os personagens usam um figurino quase medieval e habitam um mundo cheio de poeira (olha o deserto aí de novo). sem falar nas famosas gambiarras feitas por george lucas, como botar um anão para dar vida ao robozinho r2d2 ou usar um escafândro para criar a respiração do darth vader, por exemplo.

será que o michael bay também tem essa malemolência? acho que não.

abaixo a famosa abertura de “star wars”.

peguei a história da foto aqui.



No Responses Yet to “george lucas e o cinema analógico”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: