pornografia contra a pirataria

14maio10

só mesmo na américa o tiger woods tem que vir a público pedir desculpas por suas “transgressões sexuais” enquanto a indústria de filmes pornográficos fatura sozinha cerca de 14 BILHÕES de dólares. o vídeo acima é uma campanha com os maiores nomes da indústria de “filmes de amor” dos eua pedindo para os fãs não piratearem seus filmes na internet. em tempos de pornotube e acesso rápido a qualquer tipo de bizarrice pornográfica é até compreensível o apelo, não fosse pelo fato de ela se beneficiar (e muito) da internet.

a indústria pornográfica sempre esteve à frente nas revoluções tecnológicas, principalmente no que diz respeito à internet. a saber: foi a pornografia que ajudou a difundir tecnologias como o streaming de vídeo, a criptografia e as imagens de alta resolução bem como foi pioneira na monetização da internet ao introduzir a assinatura de serviços através de transações com cartão de crédito online. se voltarmos ainda mais no tempo, não há como negar que a a indústria pornográfica foi um dos grandes catalizadores no boom das fitas de vhs e das videolocadoras.

é interessante notar como as coisas mudaram com o tempo. antigamente as tecnologias de informação tinham seu pioneirismo em um ambiente de guerra, migravam para o ambiente educacional e, posteriormente, para o ambiente “civil”. hoje em dia é exatamente o contrário. elas surgem primeiro no meio civil (ou seja, a indústria pornô), migram para o científico e daí então são adotadas no bélico. é uma grande mudança de paradigma, não?

reclamar agora da crise da indústria não faz sentido. lembre-se que em momentos de recessão as indústrias de bebidas, cigarros e sexo (sem falar das drogas ilícitas e da jogatina) são as que mais faturam, ou pelo menos as que menos sofrem já que um cara desempregado tem mais tendência a cair no alcoolismo e a procurar sexo fácil (leia-se prostitutas e pornografia) do que aquele cara bem sucedido com emprego e família estáveis. ou seja, na recessão, há até um certo aquecimento nestes mercados.

mercado este que só tende a crescer, pois atualmente a internet oferece possibilidades infinitas com tecnologias que nem existem ainda. veja o cinema 3d, por exemplo. já pensou em assistir um filme pornô em três dimensões? qual o potencial de mercado de um filme desses? partindo do princípio de que quanto maior a individualização do meio, melhor é para a pornografia, já pensou o que vai acontecer quando as tvs com tecnologia 3d ficarem populares? e olha que isso não vai demorar muito. acredite, na copa de 2014 essa tecnologia já vai estar superada por uma infinitamente melhor.

e a internet é a base na qual a pornografia tende a durar para sempre. vale lembrar que essa indústria se beneficia do anonimato. as pessoas não fazem download ilegal apenas porque é de graça, mas sim porque é uma atividade anônima. no mundo puritano em que vivemos ninguém quer ser visto saindo de uma sexshop, que dirá ser visto saindo com uma sacola cheia de filmes da silvia saint da videolocadora onde seus filhos pegam filmes do harry potter.

tudo bem que, com o surgimento do video amador e de infinitos sites gratuitos que oferecem pornografia suficiente para se passar anos sem sair da frente do computador, a indústria tenha sofrido um certo prejuízo. mas o fato é que sexo vende. sempre foi assim e sempre será. e a indústria tem um grande coringa nos dias atuais: a liberdade. dificilmente daqui para frente haverá um levante como o que aconteceu contra larry flint nos anos 70, a não ser que o mundo fique muito, mas muito coxinha. ou que surja uma grande ditadura mundial, mas acho que nem assim (veja a china, por exemplo).

durante o governo clinton, a onda conservadora nos eua unidos diminuiu bastante. no que tange à pornografia ela quase inexistiu. durante os oito anos em que ocupou a casa branca, houve apenas uma prisão por pornografia ou “obscenidades”. com isso a indústria pornográfica se fortaleceu. a região de san fernando valley, na califórnia, cresceu tanto que já é chamada de “o vale do silício da sacanagem” de tão rentável. com o início da era bush o cerco se acirrou um pouco mas a indústria já estava tão gigante que não compensava mais lutar contra ela.

a coisa chegou a tal ponto que ano passado a indústria pornográfica pediu formalmente um pacote financeiro ao presidente obama para “salvá-la” da crise alegando que é um setor que gera milhares de empregos e é mais rentável que a indústria fonográfica, por exemplo. no mundo todo, a indústria musical fatura cerca de 14 bilhões de dólares, em dados de 2009. já a pornografia lucra 73 bilhões. isso só na china, coréia do suljapão.

óbvio que o obama não ajudou, mas não por se tratar da indústria do sexo, mas porque ela, de fato, não precisa.

reparou como no vídeo lá em cima, em momento algum é citada a palavra “pornografia”? eles se auto-definem como “cinema adulto”. ou seja, já faz parte do sistema. não tem mais volta, ignorá-la é burrice.

para saber mais sobre a indústria pornográfica na era da internet recomendo “porndemic”, um documentário da cbc-tv, emissora canadense, que aborda os prós e contras dessa nova tecnologia na disseminação do sexo como produto. analisam desde como tem gente fazendo milhões de dólares com isso até o surgimento de uma nova patologia: o vício em sexo virtual.

ou seja, a indústria pornográfica reclamar que está perdendo dinheiro é totalmente contraproducente já que há um mercado totalmente inexplorado e que ainda vai fazê-los lucrar muito. isso sem falar que agora além de incorporarem a cultura pop em suas produções (vide essas paródias xxx de filmes e seriados hollywoodianos), também estão sendo fagocitados pela cultura pop com pornstars sendo aceitas no cinema mainstream, tipo a sasha grey fazendo filme do steven soderbergh ou a jenna jameson fazendo filmes de zumbi.

e sem falar que um filme pornô não custa tanto assim para ser produzido, e fatura muito. ou seja, o custo-benefício é altíssimo.



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