ben folds, chatroulette e a auto-promoção na internet

25mar10

se você usa a internet regularmente e acompanha o que se passa no mundo através dela já deve ter ouvido falar do chatroulette, site que permite que você se conecte em tempo real com outra pessoa, de forma aleatória, em qualquer lugar do mundo.

a plataforma é a mesma utilizada pelo omeegle, uma espécie de msn onde não é necessário o email do interlocutor para conversar, basta apertar um botão e você já está dialogando com uma pessoa que você nunca viu e nem sabe quem é. se o papo estiver chato é só desconectar que outra pessoa – igualmente estranha – já fica dísponível para conversar.

a grande sacada do chatroulette foi possibilitar essa conversa através de uma webcam. com apenas um clique você já está tendo contato visual com um estranho no japão, na suécia, ou em pindamonhangaba, por exemplo. daí para o site virar febre não demorou. 

no chatroulette você encontra desde nerds espinhudos, até garotinhas virginais, pervertidos, nazistas, quarentões e todo tipo de bizarrice que você possa imaginar. o site começou a virar notícia depois que várias pessoas começaram a utilizá-lo para se auto promover, fazer pegadinhas e qualquer coisa estranha que você nem sabia que era possível.

muitos memes de internet também já surgiram usando o chatroulette, tais como gente que desenha a pessoa do outro lado da tela, performances circences, gente que conversa apenas citando frases famosas de filmes, etc. obviamente, infindáveis sites de nicho se proliferaram na internet tendo o chatroulette como espinha dorsal. são vários os tumblrs feitos com screenshots das figuras mais bizarras do site, por exemplo. ou então das “hottest chicks on chatroulette”. vai vendo.

isso possibilitou que muitos anônimos ficassem mundialmente famosos de uma hora para outra, mesmo que por um dia apenas, mesmo a contragosto. o site também virou uma ferramenta para que famosos prolonguem um pouco mais a fama efêmera que já possuem no mundo real.

o interessante é notar como a internet vai criando símbolos e códigos que caem no senso comum e (por que não?) em “domínio público”. símbolos que começam a fazer parte do imaginário da internet, parte de um ecossistema independente. praticamente todo mundo que  está ligado na web hoje já viu, pelo menos uma vez, a foto do cara vestido de oncinha que ilustra este post. mesmo que não saiba direito o por quê.

e a coisa é tão rápida que já existem até mini-documentários sobre o chatroulette. olha esse, por exemplo, que interessante:

na semana passada ficou famoso um cara que criava músicas, na hora, para a pessoa do outro lado da tela, o piano guy. logo confundiram o tal pianista com o ben folds, cantor americano praticamente desconhecido fora do circuito independente.

como não é bobo nem nada, o próprio ben folds apareceu nesta semana dizendo que ele não era o tal piano guy.  durante um show de sua banda para 2 mil pessoas no último fim de semana na carolina do norte, ben resolveu prestar uma homenagem ao piano guy fazendo músicas no chatroulette ao vivo, na frente da platéia. o resultado é espetacular. olha só:

daí eu me pergunto: qual é a importância de músicos – e artistas em geral – estarem ligados nas novas tecnologias que surgem praticamente todo dia na internet? depois deste evento, muita gente (eu incluso) que nunca deu muita bola para o trabalho do ben folds com certeza vai procurar ouvir pelo menos uma música que seja do cara, já que ele conseguiu mostrar àqueles que não o conhecem que não é um músico qualquer, certo?

o vídeo acima, até o momento, já tem quase 2 milhões de acessos no youtube. o que isso significa em termos de ganho de público, discos e ingressos vendidos ou apenas exposição massiva na mídia mainstream? será que o diretor do mini-documentário acima conseguiu mais trabalhos depois desse filme?

provavelmente, daqui uma semana ninguém mais vai falar do piano guy, ou do video do ben folds usando o chatroulette. outros “fenômenos” igualmente passageiros tomarão este posto.

mas será que os artistas, hoje em dia, precisam mesmo participar de tudo quanto é novidade tecnológica que surge na internet? quanto o ashton kutcher faturou apenas por ter entrado no twitter? quem é que fala do ashton kutcher hoje em dia, se não para falar de twitter? ele ainda é ator, certo?

será que vale a pena participar desse jogo volátil da internet? por mais que sejam efêmeros, esses memes são capazes de consolidar público, ou ao menos fazer com que o talento de um artista seja um pouco mais reconhecido?

no brasil ainda é complicado ver artistas fazendo algo parecido com o que o ben folds fez. principalmente no ramo da música onde muita banda não consegue nem fazer um release que preste. há bandas que sequer tem myspace, ou então tem twitter mas não interagem com seus seguidores. veja bem, lá fora já tem banda lançando disco via chatroulette.

ganha mais quem tem vários canais de comunicação ou quem interage melhor através desses canais?



2 Responses to “ben folds, chatroulette e a auto-promoção na internet”

  1. 1 mongohelson

    Adorei isso!

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