fúria contra a máquina

20dez09

neste domingo o rage against the machine conseguiu o feito de alcançar o topo das paradas britãnicas com a música “killing in the name”. detalhe: 17 anos depois de seu lançamento.

tudo por culpa de uma campanha feita pelos fãs da banda, primeiro via facebook, depois por toda a internet para evitar que Joe McElderry participante do programa x factor, o “ídolos” da inglaterra (que “revelou” a susan boyle) chegasse ao primeiro lugar com uma música da… miley cyrus. a idéia era “mostrar que as paradas de sucesso ainda poderiam ser lideradas pela boa música e não pelo que o simon cowell (jurado do programa, espécie de rick bonadio e um dos caras mais ricos da indústria) dizem que é bom”. justo.

a campanha gerou burburinho no reino unido sendo o assunto mais comentado por lá durante a semana. até o paul mccartney, que se apresentou na final do programa, se pronunciou e tomou partido do ratm dizendo que se eles chegassem ao topo seria, no mínimo, interessante. ainda mais em se tratando desta música, marco do “rock político e engajado” nos anos 90.

resultado: “killing in the name” ganhou a disputa e a banda decidiu doar todos os lucros para uma instituição que presta assistência a pessoas desabrigadas.

vamos aos números: durante a semana a música do ratm vendeu impressionantes meio milhão de cópias contra 50 mil cópias a menos da concorrente. além disso, entrou para a história como a música que mais vendeu no reino unido via download no período de uma semana. sem falar que, nos últimos quatro anos, essa é a primeira vez que uma música que não foi agenciada pelo simon cowell chega ao topo das paradas.

a discussão é interessante. por um lado é legal ver que um movimento na internet consegue movimentar mudanças reais nas paradas de sucesso em benefício, não digo da boa música, mas sim daquela música que não está no esquema viciado das gravadoras, rádios, televisão e mídias em geral que enfia goela abaixo o que o público deve gostar. isso mostra que a indústria musical não só não morreu, como não vai morrer. só mudou (ou precisa mudar) seu modo de funcionamento.tais paradigmas precisam ser quebrados.

por outro lado não deixa de ser meio mesquinho esta forma de fazer as coisas. ou seja, ganha credibilidade quem vende mais.

isso existe desde sempre, é verdade. alguém lembra da briguinha entre oasis x blur nos anos 90. ou melhor: o que foi aquela “rivalidade” beatles x stones, afinal? sem falar que (os fãs que me perdoem) o ratm já é uma banda moribunda há anos, certo? seria mais legal se fosse uma banda nova ao invés de algo cujo poder de fogo já foi consolidado. não deixa de ser irônico, portanto.

no fim, quem ganha mesmo é a indústria cultural. executivos estão rindo de orelha a orelha. vai por mim.

mas que dá gosto de ver apresentações como a que o rage against the machine fez na bbc essa semana, isso dá. afinal, cenas de conservadorismo são sempre muito engraçadas. detalhe que as rádios britânicas não passarão a tocar a música porque a letra contém 17 “fucks” em sequência.

VEJA ATÉ O FINAL.

fico pensando: com a chegada da billboard ao brasil, qual a chance de algo semelhante acontecer por aqui? será que temos algum artista com força suficiente para bater ivetes, sertanejos ou as crias do rick bonadio? é nessas horas que eu me desiludo. 

mas eu ainda sou otimista.



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