high times

26nov09

isto é um vídeo do exército britânico testando lsd como forma de aumentar a resistência dos soldados no campo de batalha. a parte em que o soldado abandona o posto e sobe numa árvore para “alimentar os passarinhos” é hilária.

vale lembrar que medidas proibitivas em relação às drogas, em grande medida, ganharam força apenas depois que perceberam que a maioria delas não poderia ser usada como instrumento bélico. no vietnã, por exemplo, os soldados americanos consumiam maconha, heroína (nessa parte do globo a oferta era vasta) e lsd para entrar em combate.

 

mas em plena efervecência dos anos 60 isso apenas causava mais tensões entre os soldados que questionavam a guerra sem propósitos sendo que muitos acabaram “enlouquecendo” e até praticando o chamado fogo-amigo. ou seja, soldados americanos atirando em colegas em pleno campo de batalha. sem falar em casos de estupro de civis inocentes, desobediência, abandono de funções e deserções. alguém aí lembrou de “apocalipse now”, “full metal jacket”, “platoon”, etc?

este conjunto de fatores resultou na famosa “guerra contra as drogas” instituída pelo presidente nixon. que nada mais era do que uma cruzada hipócrita (e racista) visando interesses particulares. aproveito para abrir um parêntese para uma citação ao livro “contracultura através dos tempos” de dan joy e ken goffman. livro este que já estou para comentar há muito tempo por aqui mas que a (falta de) memória e/ou a preguiça me impediram. fica para uma outra hora.
mas recomendo com força.

“com a posse de nixon, no início de 1969, aumentaram as condições para a guerra cultural e o conflito político, assim como cresceu a guerra no vietnã. o novo presidente anunciou a “guerra às drogas” (uma herança que permanece até hoje), aprovando a lei “sem bater”, que permitia que a polícia invadisse as casas de suspeitos de posse de drogas sem aviso. (hoje nós consideramos isso normal, mas antigamente era comum que os agentes da lei batessem e anunciassem que tinham um mandado de busca).

(…) embora grande parte da repressão fosse, sem dúvida, uma reação natural de agentes da lei machistas às provocações de esquisitões negros, também estava em ação um grande programa secreto do governo dos estados unidos para espionar, enquadrar e, em pelo menos uma ocasião, assassinar radicais e/ou hippies. revelado mais tarde como resultado de uma investigação relacionada ao caso watergate, o programa era chamado de COINTELPRO e, com o governo nixon assumindo o poder, aproximadamente 250 mil novos esquerdistas, líderes hippies e até mesmo democratas liberais, além de astros do rock e outras personalidades, foram sujeitadas a um programa de estrita vigilância pelo FBI, que incluía infiltrações. além disso, nixon tinha uma “lista de inimigos” particular, composta principalmente de liberais e quase todos os seus críticos nos grandes meios de comunicação. a lista seria repassada para o IRS que, sem dúvida, sabia o que fazer.

(…) como foi revelado nas audiências do church committee em 1975 e por documentos posteriormente liberados com base na lei de liberdade de informação, a grande opressão de j. edgar hoover nos anos 1960 era impedir o crescimento da liderança política negra, e ele se concentrou em acabar com os panteras negras, que tinham se tornado heróis populares dos negros nos guetos. a maior parte do esforço do programa COINTELPRO do FBI era dirigido contra aquele partido. todos os diretórios tinham sido fortemente infiltrados com agentes que tentavam (com algum sucesso) levá-los a participar de atos de violência ilegais. cartas falsas eram enviadas de um membro do partido para outro, de modo a (com sucesso) provocar lutas internas. dezenas de membros do partido foram enquadrados, e pelo menos dois, fred hampton e mark clark, foram mortos a sangue-frio pela polícia de chicago enquanto dormiam.”

daí para começar a acreditar nas suspeitas de que elvis presley (logo quem) fosse um agente infiltrado do FBI no combate às drogas (inclusive delatando, primeiro os beatles – de modo a tentar reaver, de forma suja, seu reinado nas paradas de sucesso –  e posteriormente john lennon e sua ligação com líderes revolucionários, pacifistas e “gurus das drogas” tais como abbie hoffman e timothy leary) não custa, né?

hoje em dia é sabido que, por debaixo do pano, o exército americano (pelo menos durante a gestão de bush filho) testou drogas  em seus soldados no iraque e afeganistão de modo a aumentar o rendimento no deserto. sem falar nos soldados que se viciam em anfetaminas e outras substâncias depois que voltam da guerra, seja por causa do trauma ou para evitar a “cold turkey”.



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