o irã, a internet e o rock

15jun09

computador destruído por forças milicianas durante protestos na universidade de teerã

a guerra do golfo foi o primeiro grande acontecimento da humanidade a ser televisionado in loco e ao vivo, e fez a fama de redes de notícias como a cnn, por exemplo. comparada com a tecnologia de hoje as transmissões “em tempo real” daquela época parecem piada. em 2009, pela primeira vez estamos presenciando essas mudanças realmente em tempo real. é impressionante acompanhar os iranianos relatando o caos em teerã via twitter, blogs, flickr, youtube e várias outras redes sociais ao mesmo tempo em que a chamada “revolução verde” ganha corpo nas ruas da capital iraniana. mais interessante ainda é notar que grande parte do ocidente se engajou na luta iraniana por democracia e começou a ajudar o povo de lá a repercutir o caos das ruas.

a cnn, estranhamente, evitou tocar no assunto durante as primeiras horas dos confrontos dando apenas as parciais da eleição. foi o suficiente para a “twittosfera” começar a pressionar a rede de notícias por idoneidade e clareza nas informações e logo a tag #cnnfail virou um dos tópicos mais discutidos no twitter e seus repórteres com perfil no site, instantaneamente, começaram a ser bombardeados com mensagens de protesto e represália. o apagão da cnn chama a atenção do mundo por se tratar de uma rede que sempre foi entusiasta das novas mídias e sempre esteve a frente neste quesito.

além disso, o que mais me chamou a atenção foram os vários iranianos twittando de teerã informando que o governo estava invadindo casas atrás de internautas e que os serviços de internet e sms estavam sendo minados aos poucos. vários deles pediam, via twitter, informações de como montar estações de rádio ou tv caseiros. vários deles inclusive, apelavam e pediam ajuda dizendo que, se nada for feito, com o presidente reeleito de forma fraudulenta, certamente uma guerra nuclear com os estados unidos será inevitável.

todo esse burburinho ao redor do assunto me intriga. primeiro, obviamente, que não acredito que tantos iranianos tenham acesso a internet uma vez que o país notadamente vive num regime ditatorial. ou esse ahmadinejad é muito esperto ou muito burro. porque, convenhamos, ditador que é ditador corta todos os meios de comunicação, certo? mas também tenho que levar em conta que geralmente autoridades repressivas (sejam elas a polícia, governos ou afins) não são lá muito espertas e têm tendência a dar tiro no próprio pé de vez em quando (vide a censura durante a ditadura militar no brasil).

e realmente quero acreditar no poder da internet na ajuda da construção da democracia no mundo. mas é inegável que o irã tem jovens engajados e que tentam, na medida do possível, lutar contra o regime vigente. filmes como “persépolis”, por exemplo, ajudam a ilustrar isso. até bandas de rock eles já estão formando nos porões de teerã.

uma coisa é certa: a revolução não será televisionada.

mais fotos (incríveis) dos protestos aqui.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “IRAN: A Nation Of Bloggers on Vimeo“, posted with vodpod

 

 

 



No Responses Yet to “o irã, a internet e o rock”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: