let it blog entrevista: wry

12maio09

wry 1_Alessandra Luvisotto

foto: Alessandra Luvisotto

formada em 1994 em sorocaba, a banda wry é um caso interessante na cena independente nacional. primeiro: não se furtam em assumir que fazem rock alternativo torto, mais específicamente shoegaze. segundo: quando estavam começando a causar certo burburinho pelos porões do brasil resolveram fazer as malas e tentar a sorte num país onde a concorrência é infinitamente maior e mais acirrada do que no brasil. depois de sete anos vivendo em londres a banda volta ao brasil e para provar que topa qualquer desafio, promete lançar três álbuns em 2009. um deles, “she science” (assim como todos os trabalhos anteriores), já está inteirinho disponível para audição na página da banda na trama virtual.

em meio aos trâmites da volta ao brasil, o let it blog conversou com mário bross, guitarrista e vocalista do wry. ele fala um pouco sobre este período vivendo em londres, os novos projetos, o encontro com seus ídolos do my bloody valentine e sobre o retorno ao brasil. 

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* Para começar, faça um resumo desses anos vivendo em Londres. O que aconteceu de bom e ruim e como essa mudança geográfica refletiu no som da banda.

Foi ótimo morar lá, experiências que nunca mais serão esquecidas. As aventuras e desventuras e tudo mais. Muitas coisas boas e pouquíssimas coisas ruins pra ser sincero. O melhor, além dos shows maiores que fizemos lá, foi a presença do My Bloody Valentine, menos a Bilinda, num dos nossos shows e sermos “aprovados” pelos nossos deuses, foi genial! Kevin Shields me disse coisas que ele não deve falar para qualquer um normalmente, foi memorável mesmo.
O som da banda mudou devido ao fato do próprio tempo mesmo ter passado, mas com certeza a escola que a Inglaterra é pra música nos ensinou muito.

* Quais são as principais diferenças do mercado inglês em relação ao mercado brasileiro? O público aceita bem uma banda que vem de fora? O fato de serem brasileiros muda alguma coisa? Rola algum preconceito ou afinidade? O retorno financeiro na Inglaterra é maior do que aqui no Brasil?

São inúmeras as diferenças, coisas que no Brasil ainda estamos a buscar (e está avançando, diga-se de passagem) e lá eles já estão cansados de fazer. É um país que mexe com rock de forma comercial há décadas. O público não se importa muito com de onde vem a banda. Lógico que existe uma grande diferença, se você é inglês ou de outro país, na hora da escolha, seja ela de uma gravadora ou agenda de show. O quesito “nacionalidade” conta como positivo ou negativo. Não tínhamos nenhum retorno financeiro, era muito pouco e nem fazia diferença. Aqui no Brasil, onde estamos agora, já é um pouco melhor.

* E como é a cena musical underground de Londres? Existe uma cooperação entre as bandas? É difícil ser shoegaze, mesmo na Inglaterra? Vocês têm abertura em rádios, revistas etc? Rola jabá na Inglaterra?

Adoro nosso estilo e não tenho problema algum em saber que este estilo não é o que todos gostam e que está na capa das revistas. Dependendo do ponto de vista, pode ser difícil como pode ser fácil na Inglaterra ou em qualquer outro lugar do mundo. Pra mim não, é na boa, adoro o som que fazemos e não me preocupo demais. A cena underground na Inglaterra é diferente, tem menos paixão eu diria, sem generalizar é claro. No Brasil, pelo conformismo de que underground é underground, talvez as pessoas toquem mais livres e com mais paixão, sem muita preocupação de sucesso. Jabá rola em qualquer lugar. Sim, existem muitas rádios e programas de TV que dão apoio às bandas novas, desde que elas já tenham aparecido bastante na mídia… É estranho.

wry_divulgação

foto: Divulgação

* Durante o período que vocês ficaram na Inglaterra o cenário independente no Brasil mudou bastante. Vocês acompanham a cena daqui, conhecem as bandas atuais? O público que vocês tinham antes continua sendo o mesmo? Vocês não têm medo de se sentirem “estranhos no ninho” dentro da cena indie de seu próprio país?

Estranhos no ninho, não, nem um pouco. Adoro o Brasil, sempre adorei e sempre disse que sentia uma evolução no rock alternativo brasileiro e estou presenciando isso agora. Nosso público fica sempre mais jovem, o que é otimo. Toda vez que volto vejo uma garotada nova nos shows. Adoro várias bandas brasileiras como A Sea of Leaves, Labirinto, Pale Sunday, Aspen e Duelectron.

* O fato de vocês cantarem em inglês ainda é determinante na popularização da banda aqui no Brasil? Apesar de várias bandas daqui cantarem em inglês (como CSS e Vanguart, por exemplo) percebo que muita gente gosta mesmo sem saber o que é dito nas letras e outras não gostam exatamente por essa razão. Vocês sentem isso também?

Eu sinto que as pessoas gostam de nossa música, independente da língua em que cantamos. Algumas acabam gostando menos de uma música ou mais de outra. Verei a real disso quando os discos saírem, dai poderei dizer mais a respeito.

* Qual o relacionamento de vocês com outros artistas brasileiros que tentam a sorte lá na Inglaterra como, por exemplo, CSS e Bonde do Rolê? Existe cooperação ou são coisas totalmente distintas? Vale a pena uma banda brazuca tentar a sorte fora do país?

Se a banda for lá com tudo certo, mesmo que não tenha nenhum apoio, mas são muito amigos e sabem o que querem da vida, compensa sim, é genial morar na Inglaterra. Não temos nenhum relacionamento com as bandas citadas acima, a não ser com The Tamborines, que moram lá e adoro.

* Por que voltar ao Brasil? É uma volta definitiva ou apenas para shows? Quando começa a turnê? Vocês já têm o itinerário? Soube que estão negociando um show em Ribeirão Preto, é verdade?

Acho que estaremos tocando no Groselha Fuzz logo, logo. Estamos de volta ao nosso país de origem, aqui agora é nossa casa novamente. Dá pra saber onde estamos tocando no www.myspace.com/wrymusic ou no http://wrynow.blogspot.com

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foto: Alessandra Luvisotto

* Como é um show do Wry?

Putz, agora nosso show está alto, hipnótico, perturbador, tocante, divertido e cheio de luzes! Espero vê-lo em um desses.

* Vocês estão lançando três discos ao mesmo tempo, é isso mesmo? Fale dos projetos da banda para 2009. Esses discos serão lançados no Brasil?

Estaremos lançando no Brasil agora: “She Science” e “The Long-term Memory of an Experience”, que são quase que um álbum duplo de 22 músicas, entre elas muita experimentação e novidades. E também estaremos lançando o “National Indie Hits” que traz covers de bandas alternativas brasileiras dos anos 90′ e 00′. O “NIH” foi gravado nas horas vagas dos outros álbuns, já estávamos fazendo desde de 2006 e os dois de músicas inéditas foram gravados durante as 4 estações do ano de 2008. Não vejo a hora de eles estarem nas casas das pessoas!

* Vocês também participaram de um disco-tributo ao Jesus & Mary Chain, certo? Conte um pouco sobre isso.

Por incrível que pareça, estou ouvindo agora esse disco e está genial, cada versão é excelente. Vale a pena comprar. Participar foi muito legal, estamos juntos com bandas que adoro como Flowers of Hell, Spotlight Kid, Heaviness e Pia Fraus. Foi um convite do Robin da nossa gravadora de lá [Club AC30] que aceitamos na hora, sem pensar duas vezes.

* Sei que vocês tocaram aí na Inglaterra com Rakes e Subways, por exemplo. Com quais bandas vocês chegaram a fazer shows e/ou são amigos? Quais bandas inglesas vocês recomendam?

Eu recomendo Air Formation e Amusement Parks on Fire, são ótimas bandas do mesmo gênero que a gente.

* Vocês tiveram um disco [“Flames In The Head”] produzido pelo Gordon Raphael [produtor dos Strokes] e pelo Tim Wheeler [guitarrista] do Ash. Como vocês se conheceram e como foi esse processo?

Foi muito interessante, Gordon Raphael eu conheci na noite londrina e Tim Wheeler aparecia no salão onde minha namorada era cabelereira. Os dois ouviram as músicas novas da época e gostaram. Coincidentemente no mesmo dia eu recebi o convite para sermos produzidos por eles, ao mesmo tempo, foi surreal. Com o Gordon foi bem rápido, bem low-fi e meio hippie e com o Tim foi bem mainstream com equipamento de alta qualidade. na verdade, usamos tudo do Ash e vários dias de gravação.

* depois deste encontro com o Kevin Shields em Londres soube que ele já elogiou o trabalho de vocês algumas vezes na imprensa. Corre até o boato que vocês estariam tentando facilitar uma turnê do My Bloody Valentine no Brasil. Procede?

Essa eu não sei ainda nada a respeito, mas quem sabe eles tocam no Brasil ainda esse ano. Vamos torcer.

* Do que vocês mais sentiam falta no Brasil?

Eu sentia falta da paixão tão calorosa que tem esse povo maravilhoso!

* A última pergunta é uma curiosidade que sempre tive: Mário Bross é mesmo seu nome ou é um nome artístico? Em todo caso é genial. aahaha.

Eu tenho parentesco alemão e meu sobrenome veio de família!!!



2 Responses to “let it blog entrevista: wry”

  1. mandou bem mais uma vez, Cadu!
    ansioso pelo show!

  2. 2 Cadu

    valeu, tiago.
    vi que você botou o link pra entrevista lá na comunidade. valeu mesmo.😉


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