folk transnacional

27abr09

wander

na última semana o sesc ribeirão preto promoveu um mini festival para mostrar ao povo jeca da cidade a cara do “folk brasileiro” que vem sendo tão falado de uns anos pra cá. tudo desculpa para juntar algumas das bandas mais legais do cenário independente, pois de folk mesmo a maioria das bandas tem muito pouco. dividido em três dias, o fest folk transnacional é uma belíssima iniciativa e dá a chance para essas bandas se apresentarem na cidade para um público um pouco maior e com condições decentes de som, luz, camarim… etc. se é preciso inventar rótulos para que um evento desses aconteça com um pouco mais de estrutura, que façam então um festival com a nova cena eletrônica independente; outro com a nova cena instrumental; outro com os novos cantores e cantoras, etc.
a cidade agradece.

1º dia

o festival teve início com apresentações dos cariocas do supercordas e com os curitibanos do charme chulo. os cariocas voltaram à cidade depois de quase três anos e dá para notar que estão conseguindo balancear melhor os efeitos e ruídos presentes nas gravações de estúdio durante a performance ao vivo. da primeira vez que vieram à cidade achei o show incrível mas, às vezes, o som ficava meio embolado e os “barulhinhos” que deveriam apenas dar uma atmosfera a certas canções acabavam se sobressaindo e atrapalhando os outros instrumentos. agora a banda está mais concisa e parece ter dosado bem a carga de efeitos durante as músicas. claro que o sistema de som do sesc também ajuda.

sem sombra de dúvidas uma das melhores bandas surgidas no cenário brasileiro nos anos 2000 com composições belíssimas como “sobre o frio” e “frog rock” a banda parecia meio travada em cima do palco. consequentemente, a recepção por parte da platéia foi fria. apresentaram algumas canções novas e tiveram a coragem de deixar um de seus principais hits (“frog rock”) de fora do setlist. dessa leva de canções novas, “mágica” já pode ser considerada uma pepita do novo disco que deve sair ainda este ano. abaixo vídeo da música “um grande trem positivista”.

na sequência o charme chulo entrou e me surpreendeu. primeiro que eu achei que eles é que seriam a “banda de abertura”. segundo que a platéia sabia cantar TODAS as letras. a banda também não fez por menos e mostrou um show a mil por hora mesmo nas canções apresentadas com a viola caipira no lugar da guitarra. mostraram algumas canções novas, fizeram cover de tiao carreiro & pardinho e prometeram voltar à cidade para lançar o novo disco. ver a galera cantando “mazzaropi incriminado” mais alto que o vocalista é lindo demais. abaixo uma canção nova.

2º dia

motormama, banda da casa, iniciou os trabalhos no segundo dia – mais cheio que o primeiro – e mostrou o show competente de sempre com direito a seus mini hits “coração hardcore” e “vaquero”, por exemplo. também tocaram músicas novas.

wander wildner já entrou com o jogo ganho e só teve o trabalho de enfileirar hit atrás de hit. mostrando músicas de seu último trabalho, “la canción inesperada”, a primeira parte do show é toda acústica com wander e seus “comancheros” sentados mandando suas canções em portunhol ou “espanhol selvagem”, como queira. esperto que é, wander foi soltando aquela ladainha sobre woody guthrie  e bob dylan em doses homeopáticas para explicar as origens do folk e, consequentemente, do rock. obviamente, o show termina com wander plugando a guitarra.

wander-wildner_setlist2

setlist do wander wildner

com a platéia entregue não faltou coro durante clássicos como “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, “eu tenho uma camiseta escrita eu te amo”, “bebendo vinho”, “amigo punk”, “lugar do caralho” e a impagável “mantra das possibilidades”, aquela onde ele diz que tenta ser bonito mas não consegue, pois sempre volta atrás. ahaha.

3º dia

vanguart

o terceiro dia de festival foi reservado para a banda que representa ou que talvez tenha sido o grande catalisador dessa nova onda folk. com disco elogiado nas costas, vários shows pelo país, dvd recém-lançado sob a marca multishow e com uma exposição na mídia mainstream cada vez maior, o vanguart teve o maior público da semana sendo que vi várias pessoas que foram lá por curiosidade, ou seja, foram checar a falação em cima do grupo. a banda fez um bom show mostrando que tem bala na agulha e que se lançar mais um ou dois discos bons tem tudo para virar uma banda grande (seja lá o que isso queira dizer hoje em dia). já tem um certo fã-clube que os segue em cada apresentação e carisma para angariar novos seguidores. tocaram algumas músicas novas mas o setlist foi praticamente o mesmo das outras que fizeram na cidade sendo que “semáforo”, cada dia mais, se prova uma das melhores músicas nacionais dos anos 2000. abaixo uma das inéditas.

no quesito musical o festival se provou meio datado haja visto que todas as bandas apresentaram músicas de turnês que estão na estrada há algum tempo, ou seja, apenas uma ou outra canção é nova de fato (no caso de supercordas e vanguart, por exemplo, já são quase três anos com as mesmas músicas). quem já viu esses artistas no ano passado não se surpreendeu em nada. faltou a galera se arriscar mais e mudar um pouco o setlist. mas é até aceitável se levarmos em conta que é uma grande oportunidade para essas bandas criarem público que não é aquele que habitualmente frequenta os botecos da cidade.

depois dos três dias de festival ficou apenas uma constatação. ribeirão preto (assim como o resto do país, aliás) tem sim potencial para bancar eventos como esse que visam dar visibilidade a artistas alternativos que não tem muita exposição no mainstream. ultimamente parece que os sescs do interior vem investindo mais neste sentido (vale lembrar que bill callahan tocou em ribeirão preto no ano passado, acho que o jon spencer tocou no sesc araraquara este mês) e é super válido, pois só assim cria-se uma massa crítica que não está interessada no que as rádios e tvs movidas a jabás tentam enfiar ouvido abaixo. tomara que este pensamento se espalhe para outros eventos importantes na cidade como a feira do livro e a virada cultural, por exemplo. ouvi dizer que até o jabazeiro joão rock vai ter um “palco universitário”.

é só uma questão de tempo e iniciativa.



One Response to “folk transnacional”

  1. 1 tiago fuzz

    muito bom!
    o charme chulo é cria nossa, acho uma das melhores bandas do brasil.
    tinham que ser o ‘legião urbana’ desta geração hehe


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