insector sun, o super herói brasileiro

04fev09

insector-sun1

imagine a surpresa que tive ao abrir a folha de são paulo desta terça-feira e me deparar com a capa da ilustrada dedicada inteiramente a insector sun, o super-herói da foto acima. fodaço.
insector sun é um personagem ao estilo de jaspion e ultraman criado por um pessoal maluco de ribeirão preto que resolveu montar uma produtora independente só para dar vazão ao desejo de fazer filmes de super heróis. do it yourself total. isso tudo bem antes das facilidades trazidas pelos softwares de edição de imagens atuais e do advento da internet e do youtube. detalhe que eu entrevistei eles no já longínquo ano de 2005 para a extinta revista arp. depois disso eles já apareceram até no fantástico. segue o texto bruto, sem cortes.

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Os Paladinos de Ribeirão City
Jovens criam produtora de filmes que contam as aventuras de super-heróis contra o crime na cidade.

Revista ARP
edição Agosto/Setembro de 2005.

“O monstro Metanos invade Ribeirão City e rapta um grupo de crianças africanas. Agora, seu próximo alvo é destruir Insector Sun!”. Esse é apenas um exemplo do que ocorre na série “Insector Sun – O Guardião da Terra” que chega este mês ao seu sétimo episódio. Produzida, dirigida e encenada pelo ribeirão-pretano Christiano da Silva e alguns amigos, a série é um produto local no melhor estilo dos filmes japoneses tokusatsu*, que fizeram fama por aqui com personagens como Jaspion, Jiraya, Ultraman e outros.

A história de Insector Sun e de outros heróis criados por eles, começou num fim de semana de 1996, quando Christiano e os amigos brincavam em casa com uma filmadora e tiveram a idéia para um filme. “A Fúria do Dragão Redondo”, o primeiro filme do grupo, reuniu alguns efeitos especiais, como reproduções sonoras de socos e pontapés. Apesar de bastante rudimentar, o filme foi o passo inicial para o surgimento de novos personagens, aventuras e perigos para Ribeirão City, nome que o município ganha nos filmes dos caras.

Em 1999, Christiano resolveu transportar um de seus heróis do papel para as telas já que até então Insector Sun era um personagem de quadrinho publicado por ele em um fanzine. As primeiras filmagens foram feitas de forma muito precária e os únicos efeitos eram pirotécnicos, além dos antigos barulhos de socos e pontapés dos filmes de kung-fu.

Christiano considera que seu trabalho é pioneiro no Brasil. “Se você procurar na internet por tokusatsu nacional, encontrará vários sites, mas são todos recentes ou então o cara faz uma fantasia e tira fotos, quando na verdade nem tem filme feito”, afirma ele. O primeiro filme do Insector Sun ganhou repercussão nacional em revistas como “Heshin” e “Anime Ex”, especializadas em desenhos e heróis de filmes japoneses. O filme também participou de uma convenção de animes em São Paulo e chegou a ser exibido no extinto programa “Descontrole” da Rede Bandeirantes, apresentado na época por Marcos Mion.

A partir daí o grupo passou a produzir cada vez mais, sempre inspirados pelo gênero tokusatsu. Criaram então a produtora Ribeirão Filmes que, além de Insector Sun, também produziu quatro filmes com o personagem Metal Blue, “o nosso herói, todo azul”, como afirma a música tema da série. O que mais chama a atenção nestas séries é que os filmes são longos se comparados com a maioria dos filmes amadores e possuem até trailer com o tema de abertura. “O tokusatsu já segue um padrão em que os filmes têm entre 20 e 30 minutos de duração”, explica Ricardo da Costa, criador do Metal Blue.

Dificuldades
Fazer filmes no Brasil nunca foi fácil, principalmente de forma independente, sem os recursos financeiros necessários. Para driblar algumas dessas dificuldades, a Ribeirão Filmes conta com o apoio dos amigos. “A gente filma em lugares perto de casa, porque a galera toda vai de bicicleta para as filmagens”, conta Christiano, falando sobre os atores.

Mas além da falta de dinheiro eles também lidam com certas resistências da cidade. “Outro dia nós fomos filmar em frente a uma escola que tinha uma escadaria legal para a cena, mas não deixaram. No [parque] Curupira também não deixam. Em Ribeirão, a cultura de filmes amadores ainda é muito marginalizada”, lamenta Ricardo.

Alguns locais da cidade são facilmente reconhecidos durante as cenas, como o Teatro Municipal e a própria pedreira do Parque Curupira [atual Parque Roberto Jábali]. A produtora também já enfrentou resistência quanto à exibição dos filmes. “Teve uma vez que o Núcleo de Cinema [de Ribeirão Preto] estava com dificuldades para exibir um filme durante o projeto Cinema no Bairro**, por problemas de direito autoral. Nós oferecemos nosso filme, porque os direitos autorais nos pertencem, e eles disseram que entrariam em contato conosco. Mas ficou por isso mesmo”, lamenta Christiano.

Apesar da precariedade, a Ribeirão Filmes utiliza efeitos especiais bastante criativos para os padrões do cinema amador. Além da técnica que permite vôos de atores através de cabos, muito utilizada nos filmes de Hollywood (aqui adaptadas para cordas), eles conseguem encolher alguns persongens, numa técnica que eles denominam “efeito Chapolim” e que ficou famosa no Brasil por causa do seriado mexicano de mesmo nome. Por enquanto os filmes são feitos com apenas uma câmera convencional, mas em muitas cenas tem-se a impressão de que são usadas no mínimo seis, devido aos vários ângulos que são mostrados.

No entanto, a criatividade da equipe da Ribeirão Filmes ainda está longe de ser aproveitada pela cidade que dá nome à produtora. Eles chegaram a fazer uma apostila com o objetivo de ensinar às crianças da cidade como fazer um filme amador. “A idéia era fazer um curta-metragem com elas, ensinando como mexer na câmera e como fazer as fantasias, mas ainda ninguém bancou essa idéia”, diz Ricardo.

O próximo passo da produtora será filmar uma versão própria do filme “Contra o Tempo”, estrelado pelo ator chinês de filmes de ação, Jet Li. O novo projeto já está pronto para ser filmado, mas o objetivo principal da Ribeirão Filmes ainda é terminar a série Isector Sun, que vai até o décimo episódio. Até lá, Ribeirão estará a salvo de monstros e vilões que porventura queiram destruir a cidade. 

* Tokusatsu é a abreviação do termo “Tokushu Kouka Satsuei” que, em japonês, significa “filmes de efeitos especiais”. No início era associado apenas aos filmes com monstros e heróis de séries televisivas japonesas, mas hoje também classifica filmes de ação, terror e aventura, sem eles necessariamente fazerem uso de monstros de borracha e heróis uniformizados. Um dos maiores expoentes do gênero tokusatsu é Eiji Tsuburaya que dirigiu os efeitos especiais da primeira filmagem de Godzilla (1954) e foi criador de séries como Ultraman (1966).

** O projeto Cinema no Bairro foi uma realização da organização não-governamental Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto, com o objetivo de exibir filmes nacionais e internacionais em centros culturais da cidade, levando  cinema à população de baixa renda. Sofreu problemas com as distribuídoras de filmes, pois o projeto não pagava os direitos autorais dos filmes. Foi extinto em 2004, mas por falta de equipamentos para exibição dos filmes, os quais eram cedidos pela Secretaria Municipal da Cultura na gestão municipal de Roberto Magioni.

 

 



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