mick e keith causando no rio

07jan09

depois do primeiro capítulo introdutório, o livro sexo, drogas e rolling stones começou a ficar interessante. no segundo capítulo, os autores se aprofudam na personalidade errante e cada vez mais decadente de brian jones que foi sendo jogado para escanteio ao ver a dupla jagger/richards tomar as rédeas do grupo e dos vários flagrantes que a banda sofreu no fim dos anos 1960′ (por causa de drogas, mick quase pegou três meses de cana, keith e brian quase um ano). a escrita fluente e a diagramação bem feita também ajudam a devorar o livro rapidamente. 

em 1968 mick jagger veio ao brasil duas vezes passar férias. em janeiro, ciceroneado pelo escritor fernando sabino, foi ao rio (inclusive em algumas favelas) e à bahia onde acompanhou cerimônias de candomblé que o inspiraram a criar “simpathy for the devil”. em dezembro ele voltou ao país trazendo keith richards e suas respectivas esposas na bagagem. abaixo um trechinho dos dois arranjando treta no rio. tudo documentado, no livro, com fotos.

“(…) no afã de entrevistar os roqueiros ingleses, tudo era válido, até mesmo persegui-los pelas ruas da cidade, como fizeram uma repórter de um jornal carioca e o carro de reportagem da revista O Cruzeiro. a aventura teve início na tarde ensolarada de 30 de dezembro, assim que mick, keith, anita [pallemberg] e marianne [faithfull] entraram num táxi que os aguardava na porta do hotel. o táxi partiu pela orla, em direção a ipanema, seguido pelo carro da jornalista e pelo da reportagem da revista. distraídos com a beleza da orla e com a conversa animada, o grupo nem percebeu que estava sendo seguido. só o motorista, seu rodrigues, que preferiu não falar nada. talvez receasse perder o que poderia ser uma boa corrida.

acostumado a conduzir turistas em passeio pela cidade, seu rodrigues perguntou aos passageiros se era a primeira vez que visitavam o rio. mick respondeu que já estivera na cidade antes e que gostara do clima, do mar e das montanhas. por isso voltara e trouxera keith. o táxi passou por ipanema, leblon, são conrado, e foi desembarcar na praia da barra da tijuca, na época, ainda de difícil acesso e muito pouco frequentada. ideal, portanto, para quem não queria ninguém por perto.

depois de rodar alguns quilômetros pela orla, o táxi estacionou num ponto ermo da praia e, ao lado dele, parou o carro com a repórter do jornal. a pobre moça nem teve tempo de abrir a boca. mick e keith partiram pra cima dela, ordenando que fosse embora. a moça tentou contra-argumentar, mas só fez piorar a situação. enquanto os dois ameaçavam jogá-la no mar de roupa e tudo, anita, também exaltada, começou a jogar areia no carro dela. assustada, a moça recuou, entrou rapidamente no carro e saiu abalada dali, com o vidro do carro já fechado.

ao testemunhar a cena, o repórter nilton caparelli e o fotógrafo fernando seixas, da revista O Cruzeiro, preferiram estacionar o carro um pouco mais adiante. assim não chamariam atenção, e poderiam pensar num jeito de abordar os dois stones. sem ninguém por perto, mick, keith, anita e marianne, já com roupas de praia, aproveitaram o momento para relaxar e aproveitar o sol e a praia quase deserta. nesse ínterim, os jornalistas da revista convenceram um banhista a ajudá-los. ele deveria se aproximar dos dois, assim como quem não tem muito interesse, para tentar arrancar alguma informação deles, e eventualmente, abrir caminho para os repórteres.

o banhista caminhou pela água até onde estavam mick e keith. se aproximou  e pediu um cigarro, no que keith respondeu imediatamente: “go to hell!”. o banhista teve calma e soube contornar a situação. já estava engatando uma convesa quando dois rapazes – ambos fãs dos stones – chegaram e foram pedir autógrafo. mick e keith começaram a descofiar do banhista e o expulsaram dali aos gritos de “go, go, go”. suspeitando também daquela movimentação em torno deles, os dois preferiram desistir do passeio. mas, para o azar deles, o táxi atolou na areia.

caparelli e seixas se aproximaram e se ofereceram para ajudar. na verdade um pretexto para travar contato com mick e keith. mas bastou começarem com pergunta sobre os stones para instigar a fúria de mick e keith. anita se juntou a eles, que, aos gritos de “go, go, go” misturados a palavrões, tentavam expulsar dali os jornalistas e o banhista que ficara vendo toda a confusão –  e que tomara partido de nilton e de fernando. enquanto discutiam, o motorista do táxi chegou com alguns operários arrebanhados numa obra próxima para ajudá-lo a tirar o carro daquela situação.

com o táxi liberado, keith puxou um canivete e correu junto com mick em direção ao fusca do banhista. enquanto keith ameaçava furar o pneu do carro, mick tirou a chave da ignição. os dois, então, entraram no táxi. quando o banhista se aproximou exigindo a chave de volta, mick a atirou na areia, e gritou para seu rodrigues partir. a história apareceu nas páginas da revista O Cruzeiro de 16 de janeiro de 1969, com o título “o gênio bárbaro dos rolling stones”.

de volta ao copacabana palace…

(…) quatro rapazes entraram no hotel e foram direto bater  no quarto de mick. quando chegaram ao primeiro andar, viram keith sair correndo do quarto 101 em direção à escada, que ele subiu pulando os degraus. marianne, com a blusa aberta e os seios à mostra, também passou correndo atrás de keith. provavelmente a caminho do quarto do guitarrista, no segundo andar.

do quarto 101, que ficara com a porta escancarada, vazava o som alto da música. para os quatro rapazes, aquilo parecia um convite. e nem pediram licença ou bateram na porta ou chamaram por mick. simplesmente, foram entrando. quando mick viu que seu quarto estava sendo invadido, correu em direção à porta, gritando “get out of here” e apontando o caminho da rua. saíram todos do jeito que entraram, sem dizer uma só palavra. o que se ouviu, em seguida, foi o baruho da porta se fechando com toda a força.

apesar do incômodo gerado pela presença dos jornalistas e dos fãs, os ingleses tiveram seus momentos de trégua. assistiram aos rituais de umbanda e aos festejos de fim de ano na praia de copacabana e andaram pelas ruas próximas do hotel sem problemas. keith chegou a comprar o violão de um cantador de rua. lembrou disso numa entrevista concedida a josé emílio rondeau e publicada na edição de 1988 da revista bizz. disse que o violão, que ele ainda guarda em casa, tem uma placa de metal, onde se lê: “deus é grande” (…).”

na segunda perna dessa viagem os dois stones foram descansar em – acredite se quiser – araraquara e matão, no interior de são paulo onde compuseram apenas “honky tonk women”. coisa pouca. mas isso já é assunto para um post vidouro.



One Response to “mick e keith causando no rio”


  1. 1 a passagem dos rolling stones pelo interior de são paulo « let it blog

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