the F word

05nov08

fuck_02

quando eu era pequeno gostava de filmes de ação trash, filmes de luta, de gângsters, gostava de filmes do van damme, do charles bronson e até do steven seagal. sempre ia na locadora que tinha perto de casa e a moça sempre falava para mim: “olha, esse filme aí tem bastante foca“. não entendia direito o que significava mas sempre acabava levando. daí comecei a prestar mais atenção e realmente alguém sempre soltava um “foca!” ou “foca you!” no meio do filme. só depois que comecei a fazer aulas de inglês que fui entender o que significava esse tal de “foca”. obviamente, que passou a ser irresistível ficar falando “fuck” a todo e qualquer momento. de vez em quando até escapulia um na aula para desgosto da professora de inglês.

“fuck” talvez seja uma das palavras mais versáteis (e gostosas de se pronunciar) da língua inglesa podendo ser usada praticamente em qualquer frase, contexto, tempo verbal ou circunstância. pode ser usada como verbo, substantivo e até adjetivo. se liga como a frase abaixo absurdamente faz sentido:

“fuck! fuck you fucking fucker!”

percebendo isto, o diretor steve anderson teve a genial idéia de fazer um documentário que investiga as origens da palavra, qual a razão de ela ser considerada um palavrão ao mesmo tempo que praticamente todo mundo gosta de pronunciá-la a torto e a direito. 

“fuck”, o documentário, tenta explanar o assunto entrevistando várias pessoas que vão de líderes religiosos a jornalistas passando por linguístas, celebridades, comediantes até pessoas comuns da sociedade americana. dentre os entrevistados estão pessoas diretamente ligadas ao uso da palavra tais como kevin smith, chuck d, ice-t e hunter s. thompson. o filme aliás é dedicado à memória de thompson uma vez que ele cometeria suicídio pouco tempo depois de o filme ter sido concluído. este foi um de seus últimos registros em vida. além disso, o filme entrevista pessoas que literalmente botam o “fuck” em prática. gente tipo o ron jeremy e a tera patrick, por exemplo.  

o primeiro registro que se tem da palavra “fuck” na imprensa data de 1475 e, segundo consta, ela sempre foi utilizada como um eufemismo para “cópula”. não se sabe ao certo quando ela passou a ser considerada ofensiva mas há suspeitas que até mesmo shakespeare (sempre ele) tenha sofrido censura uma vez que acredita-se que ele tenha substituído “fuck” por “fug” em um de seus textos. 

foi apenas após as duas grandes guerras que a palavra “fuck” passou a ter vários sentidos e a ser empregada em diversos tempos verbais. segundo o filme, os próprios comandantes do exército americano utilizavam a palavra para incentivar seus soldados.

é interessante notar como o puritanismo é latente em certas camadas da sociedade americana à medida que atitudes nada puritanas como guerras e conflito armado são intrínsecas à fingersociedade e ao seu comando político. o filme fez um levantamento e constatou que até mesmo os presidentes americanos se utilizam da palavra “fuck”. ironicamente, os conservadores/republicanos dominam a lista. richard nixon talvez tenha sido o presidente que mais tenha registros dizendo a palavrinha mágica seguido de bush filho. nixon aliás, não tinha nenhum pudor e dizia a palavra mesmo em entrevistas sem se importar com câmeras ou microfones. os democratas também não ficam para trás, o casal clinton também já deixou escapulir seus “fucks” aqui e acolá. o engraçado é que durante o escândalo monica lewinsk (é assim que escreve?) a palavra não tenha surgido uma única vez. o mais bizarro é notar que políticos geralmente utilizam “fuck” para se dirigir aos judeus.

o documentário é bastante divertido e realmente zoa com tudo e todos. é engraçado ver os representantes da igreja católica tentando explicar, sem mencionar “fuck”, o que adão e eva fizeram depois de morder a maçã.

o primeiro registro da aparição da palavra em hollywood foi apenas, pasmem, em 1970 no filme “m.a.s.h”, de robert altman. treze anos depois, “scarface” entraria para a história como o filme com maior número de “fucks” da história do cinema: 182. o vídeo abaixo tem todos os “fucks” de scarface.

“fuck”, o filme, ainda aborda a perseguição, durante várias décadas, a comediantes que utilizavam “palavreado chulo” em seus esquetes. o humorista lenny bruce, por exemplo, chegou a ser preso nove vezes por dizer palavrões e recebeu duas condenações pelo mesmo motivo.

durante o governo bush (o filho), por exemplo, explodiu o número de denúncias contra discos, filmes, livros e todo o tipo de produto cultural que “ofendesse a família americana” resultando numa “indústria da multa” que arrecada milhões de dólares todo ano além de vários órgãos reguladores aos moldes do nosso quem financia a baixaria é contra a cidadania. o filme também bate forte neste ponto uma vez que a primeira emenda da constituição americana diz que “todo cidadão tem o direito à liberdade de expressão” e proíbe qualquer lei contra a mesma. o certo seria seguir o pensamento “desaprovo o que você diz mas defendo o seu direito de dizê-lo”. contraditório ou não, a segunda emenda é a que dá direito a todo e qualquer cidadão americano de portar armas.

o próprio FBI já chegou a banir e pedir o recolhimento de discos do grupo de rap n.w.a por causa da música “fuck tha police”. apesar da perseguição a obras que “desvirtuam os valores americanos” o recorde de “fucks” no cinema passou para às mãos de kevin smith e seu filme “não é mais um besteirol americano” que tem nada mais nada menos que 228 “fucks”, um a mais que a versão cinematográfica de south park. segundo smith, o número é proposital uma vez que ele obstinadamente queria bater o recorde de scarface. curiosamente a comédia mais bem sucedida da história (com U$500 milhões arrecadados) faz um trocadilho com a palavra “fucker”. “entrando numa fria” ou “meet the fockers” (no título em inglês) não sofreu qualquer restrição.

o cartaz do próprio documentário teve que ser adaptado em certas cidades. alguns cinemas chegaram a botar o título do filme com asteriscos ou estrelas. tipo: “F*ck”, “Fu*k”, e “F**k”. em certos lugares o absurdo foi tanto que o cartaz apareceu apenas com a inscrição “****” e algumas pessoas pensaram que se tratava de alguma avaliação recebida da crítica especializada. apesar de toda esta manobra com o título do filme, não houve nenhuma denúncia contra o conteúdo apresentado. caso contráro, de acordo com órgãos reguladores nos eua, o filme teria que pagar uma multa de U$260 milhões já que são ditos 824 fucks no documentário.

enfim, o assunto é polêmico e parece que vai continuar assim por muito tempo. se liga no trailer do filme.

aproveitando o ensejo, boto aqui dois vídeos que têm tudo a ver com o assunto mas que não têm nada a ver, entende? primeiro os sex pistols (steve jones mais precisamente) dizendo “fuck” na tv inglesa pela primeira vez na história. a repercussão foi tão fraca que no dia seguinte a rainha da inglaterra baniu a banda de todas as rádios e tvs do reino unido e bill grundy, o apresentador (que estava bêbado) do programa de tv em questão, foi demitido na hora.

e depois a joan baez cantando “love is just a four letter word” do bob dylan (que até onde eu sei nunca gravou a música). dizem que no título ele se referia a outra palavra com quatro letras, se é que você me entende. gênio que é, não duvido nada.



No Responses Yet to “the F word”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: