let it blog_entrevista: instiga

23set08

com sete anos de existência e dois discos na bagagem, entre eles o elogiado “menino canta menina” de 2007, a banda instiga, de campinas, faz um som que é uma mistura de beatles + bandas inglesas dos anos 90 e uma pitada de brasilidade que remete ora às mineirices do clube da esquina ora a los hermanos. juntos, esses elementos acabam resultando num som anguloso que pode causar estranhamento nas primeiras audições mas que é facilmente assimilado depois de um pouco mais de atenção. com o terceiro disco, “tenho uma banda”, lançado virtualmente (e disponível para download gratuito) há poucas semanas e com show em ribeirão preto marcado para o próximo sábado (27.09) o let it blog bateu um papo rápido com o baixista gabriel duarte sobre o novo álbum, internet, o mundinho indie entre outras coisas.

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Let it Blog – em 2007 vocês participaram de um concurso, da bbc inglesa, chamado “the next big thing” e chegaram às fases finais. também já tiveram músicas tocadas na conceituada rádio americana woxy. conte um pouco como foram estas experiências.

esse tipo de coisa acontece muito mais pela vontade do gringo saber o que acontece por aqui do que por esforço nosso. nessas duas situações, mandamos nossa música como quem não quer nada. não tínhamos qualquer contato ou qualquer vantagem em relação a qualquer outra banda do mundo. portanto, é muito bom receber esse tipo de reconhecimento!
estamos com 3 músicas tocando na WOXY. uma delas, “olá”, nos classificou pro next big thing. fomos a única banda selecionada da américa latina. isso tudo nos deixou muito contente!
o engraçado é que depois desses acontecimentos a mídia brasileira prestou atenção na gente. faz sentido? uma banda brasileira que precisa ter notícia lá fora pra ter notícia aqui dentro? a mídia brasileira não tem coragem nem estrutura pra tomar suas próprias decisões nem no mercado independente!
LiB – em que o novo disco (“tenho uma banda”) difere em relação ao anterior (“menino canta menina”) no que diz respeito ao lado musical e conceitual do álbum?
no tenho uma banda tivemos muito mais controle de todos os aspectos da produção do disco. basicamente, decidimos tudo: quantas músicas entravam no disco (17!), a capa, a gravação, a mixagem, quanto ia custar, quanto tempo a gente tinha pra compôr, os instrumentos (violões, órgãos, sanfonas!) etc.
então, eu acho que ficou melhor! (risos). fizemos o que queríamos ter feito, com muita liberdade. por causa disso, a sonoridade do TUB vai por caminhos que o MCM não foi.
além disso, o heitor [guitarrista] estava na bélgica na época da produção do disco, portanto, sua participação foi menor.
LiB – ouvi dizer que a banda quase acabou entre um disco e outro. fale um pouco sobre este período. o título do novo álbum foi dado com a intenção de mostrar que a banda voltou a andar nos trilhos?
no final do ano passado estávamos desanimados com o resultado de todo nosso esforço, mas a vontade de ter uma banda, compôr e tocar falou mais alto e cá estamos.
o título do disco, tenho uma banda, é justamente esse espírito que tentamos resgatar: aquele que junta pessoas e faz delas uma banda.
 LiB – vocês se utilizam bastante da divulgação através da internet por meio de myspace, tramavirtual, vídeos, fotos, etc. vocês sentem que isso dá resultado ou além da internet ainda é preciso exposição na mtv, rádio, essas coisas?
imagino que a maneira como você divulga sua música depende exclusivamente do público que você quer atingir. é difícil medir os resultados na divulgação pela internet, porque tudo isso é muito novo, mas o fato é que o povo que consome música está cada vez mais segmentado e com comportamentos díspares. até a mtv e as gravadoras dinossáuricas sacaram isso.
o legal da internet é que nós enquanto banda podemos bater na porta do cara que se interessa pela nossa música e convidá-lo para um chá com bolachas ou para um show. as mídias de massa não fazem isso. mas elas são boas pra mandar a galera “tirar o pé do chão”.
enfim, sabe-se lá. estamos aí pra descobrir.
LiB – no release da banda é dito que vocês produziram o novo disco com o apoio do fundo de investimentos culturais de campinas. como ocorreu esse vínculo e que tipo de apoio é este? é apenas financeiro ou existe também um apoio para depois que o disco ficou pronto?
a secretaria municipal de cultura de campinas abre todo ano (ou quase) um edital invocando os agitadores culturais a inscreverem seus projetos. aqueles que tem o projeto contemplado, recebem uma verba pra realizá-lo. não há apoio pós-produção. no máximo, podemos nos inscrever novamente para tentarmos uma verba para outro projeto.
esse apoio foi fundamental para produzirmos o disco com muita tranquilidade, sem se descabelar pra arrumar dinheiro e tempo.
LiB – como funciona a agenda da banda? dá pra fazer bastante shows ou ainda é difícil se apresentar em alguns lugares? e como é a cena aí em campinas? o fato de vocês serem daí ajuda ou dificulta alguma coisa?
estamos marcando muitos shows no interior de são paulo pra divulgar o tenho uma banda. a participação dos fãs de todo o estado na divulgação tem sido muito importante e muito legal. primordial, eu diria, considerando que prezamos muito essa proximidade.
em campinas tem bastante gente que gosta da nossa música, além de amigos. acho que isso faz dos nossos shows por lá divertidos e cheios! (risos).
não dificulta nem ajuda nada ser de campinas!
LiB – vocês poderiam indicar algumas bandas que vocês andam ouvindo ultimamente (nacionais ou internacionais) ou, quem sabe, algumas bandas de campinas?
eu tenho ouvido thriven, uma banda de campinas que acabou de surgir (o primeiro show deles é nesse domingo) e é muito legal. bem pesado o som. muito bem produzido (Piccoli).
fora isso, django reinhardt, um guitarrista cigano que tocou lá pelos anos 30 e 40.
LiB – o que vocês acham que falta para a cena independente “pegar de vez”? tem público para isso no brasil ou o underground vai ser sempre underground?
falta tudo! (risos). falta estrutura, falta canais de divulgação, falta credibilidade, falta constância, falta consistência, faltam bandas, faltam parcerias, falta mídia séria, falta costume, falta música etc. mas tudo aos poucos também está melhorando.
LiB – por fim, para quem nunca viu o instiga em cima de um palco, o que esperar de um show da banda?
piratas, travestis, sidney magal, a vontade de tocar um fagote e um porto inteiro.
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o instiga faz show neste sábado em ribeirão preto na festa milk shake ao lado das bandas:
plano próximo (são carlos)
lunático de vermelho (bebedouro)
forau e estigma (ambas de ribeirão preto)
a festa rola no porão (rua cerqueira césar, 629 – centro /  convites a R$ 5 antecipados e R$ 8 na hora) a partir das 20h.


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