bananas de pijamas?

29jul08

(…) nada tenho contra os vigilantes, repito. mas também acrescento que os vigilantes têm de cumprir dois requisitos básicos. em primeiro lugar, só podem existir na tela, não na vida real. (…) mas mesmo os vigilantes das telas têm de cumprir um segundo requisito: não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas supostamente voadoras. dizem-me que batman, ou super-homem, é uma metáfora profunda sobre a nossa condição solitária e urbana; heróis derradeiros da pós-modernidade. não comento. exceto para dizer que morro de rir quando vejo um ator, supostamente adulto e racional, enfiado num pijama colorido e disposto a salvar a humanidade das mãos maléficas de um vilão tão ridículo e tão colorido quanto ele. sem falar do fãs: homens feitos, alguns casados, que continuam a acreditar que um super-herói em pleno vôo compensa todas as ereções falhadas.
(…) durante meses e meses, uma máquina publicitária que não pára tentou convencer o mundo de que ‘o cavaleiro das trevas’ era o melhor filme da série e, juro que ouvi, um dos maiores filmes de toda a história do cinema. (…) e os atores? os atores seriam exemplos de um realismo ainda mais brutal. com destaque para o coringa, papel que pode valer a heath ledger o oscar póstumo. alguns, mais ousados, ainda acrescentam que ledger morreu de overdose precisamente por causa das exigências do papel. não tenciono polemizar com a sabedoria dos críticos, mas suspeito que heath ledger morreu de overdose porque, depois de assistir ao resultado, não aguentou a vergonha. e quem pode censurar? (…) ‘o cavaleiro das trevas’ apresenta o herói (batman) em luta final contra o mestre da anarquia (coringa), um lunático que não deseja dinheiro nem poder como os vilões tradicionais, mas sim pura destruição. na cabeça dos criadores, essa oposição simplória entre civilização/caos seria uma metáfora sobre o mundo pós-11 de setembro: um mundo em que terrorismo niilista não deseja um objetivo político preciso, mas simplesmente mergulhar o ocidente num clima de paranóia destrutivo e autodestrutivo. infelizmente para os criadores, a narrativa não é apenas infantil em sua pretensão política e filosófica: é incongruente quando batman ou coringa entram no enquadramento. razão simples: se a fantasia já é difícil de engolir como fantasia, imaginem apresentá-la em tom ‘realista’ e até ‘documental’. confrontado batman e coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um super-vilão. vê, simplesmente, dois dementes em pijamas que fugiram do asilo da cidade”.
 

joão pereira coutinho, na folha de s.paulo de hoje (link apenas para assinantes do uol). apesar de não concordar em alguns pontos, foi a crítica mais pé-no-chão que eu li sobre o filme até agora. sem babação ou intuito de criar polêmica só por birra (álvaro pereira jr., alguém???). e olha que eu botei só um trechinho. eu, confesso, também não tenho muita paciência para super-heróis e por isso ainda não vi o filme. porém, tenho a leve impressão que a caixa de e-mails dele vai transbordar de mensagens durante a semana, ahaha. mesmo assim troféu 8 bolas pro rapaz.



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