Maratona indie

26dez07

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Os Telepatas @ Groselha Fuzz Festival 

No último dia 10 de novembro aconteceu em Ribeirão Preto a primeira edição do festival Groselha Fuzz que tinha um incrível line-up com mais de trinta bandas divididas em dois dias. Por razões financeiro-estruturais o segundo dia do festival (previsto para o dia 11) teve que ser abortado e fez com que shows aguardadíssimos (The Dead Rocks, Zefirina Bomba, Dominatrix, Ludovic…) ficassem apenas na expectativa. Cancelamentos à parte, o festival mostrou que Ribeirão Preto tem potencial para entrar de vez no circuito dos grandes festivais independentes, basta um pouco de investimento via patrocínio (o poder público desta cidade poderia abrir o bolso, aliás) pois público e bandas para isso existem. Claro que ainda é uma coisa muito embrionária mas já é um começo. No que concerne à música, o festival não desapontou em hipótese alguma (apesar de eu achar que um Superguidis ali não faria mal nenhum).

Estava para falar sobre o festival há muito tempo mas se o Google não tivesse apagado minha conta no youtube – e, consequentemente, todos os meus vídeos – SEM RAZÃO NENHUMA , talvez já tivesse feito este post antes. Vídeos youtubados novamente, vamos a eles.

* Cheguei meio tarde ao festival e consegui perder a apresentação do Gray Strawberries, de Indaiatuba, que depois muita gente disse que foi um dos melhores shows do festival. Na sequência vieram bons shows de Alma Mater, Motormama e Ácidogroove. O festival foi divido em dois palcos cobertos e bem estruturados que vieram bem a calhar já que a chuva ameaçava cair. O som também estava excelente, alto e claro. A grande surpresa da noite (pelo menos para mim) ficou por conta da banda Volpina, de Sorocaba. Fui pego totalmente desprevinido por um show performático e dançante. Teve uma hora que a banda fazia um som que remetia a LCD Soundsystem com direito a cowbell e tudo mais. Não sei se eu já estava mais pra lá do que pra cá mas juro que no meio de uma música eles fizeram uma citação ao Arcade Fire. Pensa:  Arcade Fire disco punk. Abaixo um vídeozinho que, ironia ou não, é de uma música mais lenta. 

Logo em seguida vieram os mineiros do Enne. Rock meio hardcore com carinha de sofrimento. Não desceu. Terminada a apresentação no outro palco a Seychelles já estava pronta para mandar bala. A banda mostrou bastante preocupação com o figurino e adornos de palco. Além de todos os integrantes estarem vestidos com o mesmo traje (uma espécie de jaleco branco) o palco era decorado com luzes em neón, globo estroboscópico e uma pequena televisão que mostrava imagens desconexas durante as músicas. Conceitual. Show rápido e enérgico.  

Os Telepatas entraram na sequência e fizeram um show impecável. Músicas bem executadas e guitarras que conversam bem entre si. Técnicamente perfeito.

Na sequência sobe ao palco a Mamma Cadela fazendo um som experimental numa mistura de mpb, jazz, rock e barulhinhos eletrônicos. A chuva que começou a cair fez com que parte do público se afastasse do palco em busca de um lugar coberto (o palco secundário não tinha proteção para o público, apenas para os músicos). Mesmo assim foi um bom show.

Até aquele ponto o festival já tinha valido a pena já que praticamente nenhuma banda tinha decepcionado. Porém, quando os Ecos Falsos subiram ao palco minha teoria foi por água abaixo. Show matador do começo ao fim, hit atrás de hit sem tempo para respirar. Guitarra no talo e banda empolgadíssima. Tocaram quase o disco inteiro: “Sentimental”, “Inibié”, “A Última Palavra em Fashion”, “Reveillon”, etc. Abaixo você vê o vídeo de “Findo Milênio” que ainda teve a participação de Rangel (baixista do Daniel Belleza) e Thunderbird (ex-MTV e mestre de cerimônias do festival) nos backing vocals.

Os cuiabanos do Vanguart (uma das bandas mais esperadas) subiu ao palco com a responsabilidade de mostrar as músicas do álbum de estréia (apontados por muitos como o melhor do ano) e porque é apontada como a banda mais promissora do circuito alternativo nacional. A banda é competente em cima do palco mas confesso que esperava mais. Talvez tenha sido pelo andar das horas. Quando eles subiram ao palco já passava das 4h da manhã. Mesmo assim pôde-se ouvir belas performances de ‘Los Chicos de Ayer”, “Hey Yo Silver” e “Cachaça”, por exemplo. Abaixo o vídeo de “Semáforo”, uma das melhores músicas dos últimos tempos.

Daniel Belleza e os Corações em Fúria entraram na sequência e trouxeram consigo a insanidade de volta. Show pesadíssimo em clima de putaria com direito a lances performáticos do vocalista e visual andrógino do baixista (sapato plataforma e tudo mais). Putaria dos infernos.

Para fechar a noite faltava os cearenses do Montage. Quem resistiu ao cansaço viu a melhor performance do festival. Totalmente insano. O vocalista Daniel Peixoto totalmente andrógino e enlouquecido vestia apenas um vestido que mal era capaz de cobrir a cintura (ele usava uma sunga por baixo). O som absurdamente alto e as estripulias do vocalista escalando amplificadores e fazendo gestos obcenos ajudaram a dar o clima da apresentação que mistura funk carioca com electro rock (acentuado com a presença de um guitarrista) e lampejos de Madonna. Se conseguir driblar o cerco da imigração (o show em Ribeirão era o último antes de uma mini-turnê pela Europa) a banda tem tudo para seguir o caminho do Cansei de Ser Sexy. Basta uma produção de palco bem feita (jogo de luzes bombástico, lasers etc) que a banda bomba em 2008 nos EUA e Europa. Abaixo o vídeo de “I trust my dealer”. O som tava tão alto que minha câmera não deu conta.

  

Enfim, tirando alguns probleminhas (falta de banheiros decentes, por exemplo) o festival foi sensacional. Além dos shows em si, ainda haviam banquinhas de camisetas e acessórios e uma exposição de vídeos sobre a história do rock brasileiro. Depois da maratona, o que restou foi ir pra casa com o sol já raiando. Que venha o próximo!



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