um game ambientado em são paulo. será que funciona?

é o treme-treme ali no fundo?
como eu já disse na primeira edição do parabólica pop, a rockstar games é uma das produtoras de games mais legais que existem por aí. não apenas porque ela produz games maneiros como o gta ou red dead redemption, mas porque ela realmente parece curtir e entender a cultura pop e faz questão que seu público também fique por dentro de coisas legais que geralmente ele não vai aprender jogando call of duty ou super mario.
e vamos combinar que é bem mais legal quando você pode jogar um game que te possibilita ouvir um programa de rádio comandado pelo iggy pop ou então assistir a um stand up do ricky gervais onde ele faz piada sobre AIDS, né?
a rockstar é conhecida por ser perfeccionista, se empenhar nos pequenos detalhes, ter extremo cuidado com os games que produz e mostrar total comprometimento com o universo proposto em cada um deles.
para o lançamento do jogo l.a noire, por exemplo, além de fazer todo um histórico da época em que se desenvolve a história (anos 40 e 50) a produtora teve a manha de reeditar vários livros do estilo noir (inclusive aquele sobre o assassinato que ficou conhecido como “dália negra”) em bancas de jornal dos eua para que o público se aprofundasse ainda mais no espírito do jogo.
quando lançou red dead redemption - um jogo de faroeste com ambientação incrivelmente realista – o projeto de marketing da produtora consistia em disponibilizar reportagens, fotos, e links que levavam ao site da biblioteca nacional dos eua onde era possível ver fotos e documentos sobre o período em questão (fim do século XIX, começo do século XX).
sem falar que em seu site oficial e nas redes sociais há um amplo conteúdo direcionando o público para filmes, músicas e artes em geral que tratam do universo dos respectivos games.
e mais: além de escalar artistas fodões em suas trilhas sonoras a produtora também adora produzir músicas originais que são tão boas que acabam entrando para a lista de melhores do ano deste blog.
pois bem, o próximo lançamento da rockstar é o game max payne 3 (sim, a franquia que gerou aqueles filmes com o mark walhberg) e que tem previsão de chegar às prateleiras no próximo mês de maio e vem sendo propagandeado como o game mais cinematográfico já feito.
o detalhe é que esse jogo será ambientado em são paulo e, pelo visto nos trailers e fotos de divulgação, a imersão na cultura paulistana, e por tabela na do brasil underground, será bem interessante.
nesta terceira saga, o game conta como max payne se afundou no alcoolismo e no consumo descontrolado de analgésicos e, após matar o filho de um gangster poderoso em nova york, se vê obrigado a fugir do país.
com a ajuda de um amigo, que lhe oferece um emprego como guarda-costas de um ricaço em são paulo, ele tenta retomar a vida no brasil e apagar os fantasmas do passado.
no entanto, após a esposa do tal ricaço ser sequestrada, max vai viver altas tretas pelas ruas e vielas de são paulo cheia de criminosos prontos para mostrar quem é que manda nessa bagaça.
para não fazer feio na ambientação do game a rockstar enviou uma equipe de pesquisa para são paulo, que visitou diversas locações, desde os pontos mais glamurosos e conhecidos da cidade como os jardins, o morumbi, a oscar freire e a avenida paulista até favelas como o treme-treme e a favela do nove, na periferia da capital paulistana.
além disso, sobrevoou a cidade e entrevistou vários moradores que vão de sambistas até lutadores de jiu-jitsu, de socialites a membros de gangues locais. ao que parece os vilões do jogo serão de uma gangue tipo o pcc.
.jpg)

esse comando sombra é tipo um pcc, né?
essa semana a rockstar lançou um artigo onde fala um pouco como foi esse processo e analisa desde a conjuntura socio-política do brasil da era lula até a vida da alta sociedade paulistana com direito até a citação ao reality-show “mulheres ricas”.
destaque para alguns detalhes bizarros (que eu acho que só existem no brasil, principalmente em sp) como o fato de as pessoas da elite terem seguranças particulares, carros blindados e andarem de helicóptero para se locomoverem a curtas distâncias. a quantidade de helipontos em são paulo, inclusive, parece ter grande influência na jogabilidade do game.
no mês passado, os produtores já tinham falado sobre como foi a pesquisa para criar as forças policiais do game que, segundo eles é baseado no gate (grupo de ações táticas especiais) no garra (grupo armado de repressão a roubos e assaltos) no goe (grupo de operações especiais) e no famigerado bope (batalhão de operações policiais especiais).


como de costume, eles já aproveitaram para recomendar filmes como “tropa de elite”, “favela rising”, “carandiru”, e “ônibus 174″ para você ter uma referência da vibe da polícia no game. também dão dicas de filmes clássicos de tiroteio que vão desde a primeira versão de “scarface” (de 1932), passam por filmes do clint eastwood e charles bronson e culminam no john woo e em “matrix”.
vale dar uma conferida no site oficial do game, que é bem completo.
tendo em vista que nos seus games a rockstar adora zoar a galerinha reacionária (tipo a fox news) e que o jogo se passa em são paulo, a cidade mais reaça do país e cuja polícia militar é um exemplo de boa educação e preparo, é de se imaginar o que pode acontecer em max payne 3, né?
aproveitando o gancho das olimpíadas e da copa do mundo, esse talvez seja o produto mais eficaz naquele tal projeto de fortalecer o brasil no imaginário pop mundial, até o momento. mais até que o filme “rio”, que eu acho que vai ganhar o oscar de melhor música.
neymar, michel teló, “rio”, oscar, max payne, tudo isso apenas nos últimos dois anos. quando é que o brasil foi tão pop, mundialmente falando, num período tão curto? eu não me lembro.
na minha opinião, por se tratar de um game, ou seja, uma mídia onde a pessoa precisa ser ativa e onde ela passa horas e mais horas absorvendo seu conteúdo diariamente, às vezes por meses e até anos, a chance de uma pessoa associar o brasil ao que é retratado ali é muito maior do que num filme que ela vai ver uma ou duas vezes por ano, no máximo. sem falar que a indústria de games já ultrapassou a de cinema há anos, né?
estou ansioso para saber qual vai ser a trilha sonora deste jogo. estou confiando no bom gosto da rockstar.
dá uma olhada nesses trailers do game:
promete, hein.
Filed under: Coisas Pop, Nerdices, Tecnologia | 2 Comments
Tags:ônibus 174, carandiru, Coisas Pop, favela, favela rising, fox news, games, grand theft auto, gta iv, iggy pop, la noire, max payne 3, Nerdices, red dead redemption, ricky gervais, rockstar, rockstar games, Tecnologia, Tropa de Elite, videogames
2 comentários em “um game ambientado em são paulo. será que funciona?”