um game ambientado em são paulo. será que funciona?

24fev12

é o treme-treme ali no fundo?

como eu já disse na primeira edição do parabólica pop, a rockstar games é uma das produtoras de games mais legais que existem por aí. não apenas porque ela produz games maneiros como o gta ou red dead redemption, mas porque ela realmente parece curtir e entender a cultura pop e faz questão que seu público também fique por dentro de coisas legais que geralmente ele não vai aprender jogando call of duty ou super mario.

e vamos combinar que é bem mais legal quando você pode jogar um game que te possibilita ouvir um programa de rádio comandado pelo iggy pop ou então assistir a um stand up do ricky gervais onde ele faz piada sobre AIDS, né?

a rockstar é conhecida por ser perfeccionista, se empenhar nos pequenos detalhes, ter extremo cuidado com os games que produz e mostrar total comprometimento com o universo proposto em cada um deles.

para o lançamento do jogo l.a noire, por exemplo, além de fazer todo um histórico da época em que se desenvolve a história (anos 40 e 50) a produtora teve a manha de reeditar vários livros do estilo noir (inclusive aquele sobre o assassinato que ficou conhecido como “dália negra”) em bancas de jornal dos eua para que o público se aprofundasse ainda mais no espírito do jogo.

quando lançou red dead redemption – um jogo de faroeste com ambientação incrivelmente realista – o projeto de marketing da produtora consistia em disponibilizar reportagens, fotos, e links que levavam ao site da biblioteca nacional dos eua onde era possível ver fotos e documentos sobre o período em questão (fim do século XIX, começo do século XX).

sem falar que em seu site oficial e nas redes sociais há um amplo conteúdo direcionando o público para filmes, músicas e artes em geral que tratam do universo dos respectivos games.

e mais: além de escalar artistas fodões em suas trilhas sonoras a produtora também adora produzir músicas originais que são tão boas que acabam entrando para a lista de melhores do ano deste blog.

pois bem, o próximo lançamento da rockstar é o game max payne 3 (sim, a franquia que gerou aqueles filmes com o mark walhberg) e que tem previsão de chegar às prateleiras no próximo mês de maio e vem sendo propagandeado como o game mais cinematográfico já feito.

o detalhe é que esse jogo será ambientado em são paulo e, pelo visto nos trailers e fotos de divulgação, a imersão na cultura paulistana, e por tabela na do brasil underground, será bem interessante.

nesta terceira saga, o game conta como max payne se afundou no alcoolismo e no consumo descontrolado de analgésicos e, após matar o filho de um gangster poderoso em nova york, se vê obrigado a fugir do país.

com a ajuda de um amigo, que lhe oferece um emprego como guarda-costas de um ricaço em são paulo, ele tenta retomar a vida no brasil e apagar os fantasmas do passado.

no entanto, após a esposa do tal ricaço ser sequestrada, max vai viver altas tretas pelas ruas e vielas de são paulo cheia de criminosos prontos para mostrar quem é que manda nessa bagaça.

para não fazer feio na ambientação do game a rockstar enviou uma equipe de pesquisa para são paulo, que visitou diversas locações, desde os pontos mais glamurosos e conhecidos da cidade como os jardins, o morumbi, a oscar freire e a avenida paulista até favelas como o treme-treme e a favela do nove, na periferia da capital paulistana.

além disso, sobrevoou a cidade e entrevistou vários moradores que vão de sambistas até lutadores de jiu-jitsu, de socialites a membros de gangues locais. ao que parece os vilões do jogo serão de uma gangue tipo o pcc.

esse comando sombra é tipo um pcc, né?

essa semana a rockstar lançou um artigo onde fala um pouco como foi esse processo e analisa desde a conjuntura socio-política do brasil da era lula até a vida da alta sociedade paulistana com direito até a citação ao reality-show “mulheres ricas”.

destaque para alguns detalhes bizarros (que eu acho que só existem no brasil, principalmente em sp) como o fato de as pessoas da elite terem seguranças particulares, carros blindados e andarem de helicóptero para se locomoverem a curtas distâncias. a quantidade de helipontos em são paulo, inclusive, parece ter grande influência na jogabilidade do game.

no mês passado, os produtores já tinham falado sobre como foi a pesquisa para criar as forças policiais do game que, segundo eles é baseado no gate (grupo de ações táticas especiais) no garra (grupo armado de repressão a roubos e assaltos) no goe (grupo de operações especiais) e no famigerado bope (batalhão de operações policiais especiais).

como de costume, eles já aproveitaram para recomendar filmes como “tropa de elite”, “favela rising”, “carandiru”, e “ônibus 174″ para você ter uma referência da vibe da polícia no game. também dão dicas de filmes clássicos de tiroteio que vão desde a primeira versão de “scarface” (de 1932), passam por filmes do clint eastwood e charles bronson e culminam no john woo e em “matrix”.

vale dar uma conferida no site oficial do game, que é bem completo.

tendo em vista que nos seus games a rockstar adora zoar a galerinha reacionária (tipo a fox news) e que o jogo se passa em são paulo, a cidade mais reaça do país e cuja polícia militar é um exemplo de boa educação e preparo, é de se imaginar o que pode acontecer em max payne 3, né?

aproveitando o gancho das olimpíadas e da copa do mundo, esse talvez seja o produto mais eficaz naquele tal projeto de fortalecer o brasil no imaginário pop mundial, até o momento. mais até que o filme “rio”, que eu acho que vai ganhar o oscar de melhor música.

neymar, michel teló, “rio”, oscar, max payne, tudo isso apenas nos últimos dois anos. quando é que o brasil foi tão pop, mundialmente falando, num período tão curto? eu não me lembro.

na minha opinião, por se tratar de um game, ou seja, uma mídia onde a pessoa precisa ser ativa e onde ela passa horas e mais horas absorvendo seu conteúdo diariamente, às vezes por meses e até anos, a chance de uma pessoa associar o brasil ao que é retratado ali é muito maior do que num filme que ela vai ver uma ou duas vezes por ano, no máximo. sem falar que a indústria de games já ultrapassou a de cinema há anos, né?

estou ansioso para saber qual vai ser a trilha sonora deste jogo. estou confiando no bom gosto da rockstar.

dá uma olhada nesses trailers do game:

promete, hein.



2 Responses to “um game ambientado em são paulo. será que funciona?”


  1. 1 emicida é o responsável pela trilha de max payne 3 « let it blog
  2. 2 o emicida liberou a faixa inétida que ele fez para o game max payne 3 « let it blog

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