lendo algumas críticas de “jim” pela internet e vendo a reação de algumas pessoas a respeito do trabalho de jamie lidell uma coisa me chamou bastante a atenção: muita gente anda falando mal do cara pelo simples fato de ele ser branco, inglês e cantar soul music. o argumento é que trata-se apenas de mais um branquelo querendo emular o “som dos negros”, enfim querendo ser o que não é. se bem me lembro, esse pensamento mesquinho (para não dizer racista), é o mesmo argumento que alguns puristas usa(va)m para criticar a obra de elvis presley. tudo bem, elvis, de certa forma, foi sim usado para fazer o público acreditar que o rock praticamente fora inventado por brancos e que ele era o rei da história toda enquanto chuck berry, little richard e cia eram deixados no limbo pelos “brancos usurpadores”.

essa história de “rock de branco”, “música negra”, “música de bandido” etc, nada mais é do que segmentação da indústria com a única e exclusiva intenção de obter aquilo a que ela, em sua essência, se preza a fazer: dinheiro. ou vai dizer que em 1956 uma pessoa ao ouvir a voz de elvis no rádio, sem nunca ter visto uma foto sequer do cantor, saberia dizer que se tratava de um branquelo de olhos azuis? música é música, ponto.

dito isto, as críticas infundadas a respeito de jamie lidell caem por terra. o fato é que (sabe-se lá qual a razão) os negros têm uma certa habilidade em lidar com ritmos mais suingados. há um certo feeling inerente a essas pessoas. é a mesma questão do futebol brasileiro. por que é tão bom? por que os gringos não conseguem fazer a mesma coisa? seria o arroz-com-feijão? o samba? ou o fato de os melhores jogadores brasileiros serem pobres e desde cedo estarem acostumados a driblar em meio a ruas esburacadas, campos de terra e bolas de meia? vai saber. no entanto, nada impede de, vez ou outra, surgirem maradonas, beckenbauers, jamies lidell.

aos 34 anos, “jim” é o terceiro disco lançado por lidell. o segundo, “multiply” , de 2005 já havia causado certo alvoroço no meio eletrônico por misturar… dããã… música eletrônica e soul music resultando num disco experimental. quase cabeçudo. nessa época, para se ter noção, o show do cara consistia em apenas lidell e um laptop no palco. ali ele fazia todas as bases e mudava tudo a cada apresentação.

em “jim”, lidell resolveu subverter o seu método de trabalho e gravou tudo de forma analógica deixando as eletronices de lado para fazer um som mais orgânico. para isso, resolveu mergulhar de vez na soul music. uma definição que eu li e achei interessante para definir o som do cara é: otis redding+stevie wonder+monty python. este último, principalmente pelo fato de o cara ser uma figuraça em entrevistas e momentos offstage.

a essa mistura poderiam ser adicionados ainda prince, beck e marvin gaye, sem falar nas pequenas homenagens a diversos artistas. “out of my system”, por exemplo, é puro stevie wonder com seu refrão chupado de “superstition” mas os “uhuhuhu’s” e a batucada final da canção fazem referência a “sympathy for the devil” dos rolling stones.

já os primeiros 10 segundos e o dedilhado de violão de “all i wanna do”  parecem anunciar a voz doce e grave com sotaque germânico de nico na clássica “femme fatale” do velvet underground mas ao invés disso entra a voz de veludo de lidell bem ao estilo marvin gaye.  a letra da canção é a tentativa do cantor de não deixar um relacionamento se acabar pois sempre é possível melhorar o que está ruim. as palavras milimétricamente pronunciadas e encaixadas na melodia deixariam qualquer morrissey ou michael stipe orgulhoso.

a exemplo de “another day”, a canção que abre o disco, “wait for me” bota o astral lá no alto com uma base de piano inspirada que atinge o ápice no solo quase no final da música. “a little bit of feel good”, uma das melhores do disco, versa sobre como pequenas coisas podem alegrar o dia de qualquer pessoa. já o lado eletrônico de lidell aparece em “figure me out”, música que o justin timberlake daria os dois braços para ter feito. 

“hurricane” começa com uma barulheira de guitarras, depois segue numa correria ao estilo de sly & the family stone para cair num refrão esperto cujos backing vocals remetem a gnarls barkley. a referência também se dá pelo fato de a letra meio que falar sobre loucura, insanidade etc.

“green light” é baladinha. “where d’you go” é música para bater palminha e suar na pista. quase um rockinho. já “rope of sand” é toda tristinha e a mais otis redding de todas.

enfim, o disco poderia muito bem ter sido lançado em 1973 que ninguém notaria a diferença já que mergulha de cabeça no que de melhor já foi produzido na soul music. como se diz, o disco é “roots”. e está no meu top 5 de melhores do ano. e digo mais: a cada audição parece ir ganhando cada vez mais pontos rumo ao topo da lista.

assim como mark ronson, amy winehouse e todos os artistas do gênero que vêm pipocando por aí, o papel de lidell parece ser muito mais mostrar a uma nova geração de ouvintes que a música grooveada já era feita muito tempo antes de branquelos como os do franz ferdinand surgirem do que propriamente reinventar o gênero.

músicas feel good. canções de comercial de margarina. cambalhotas. domingos ensolarados. sorvete no parque. o clima de “jim” remete a tudo isso e nessas horas o fato de jamie lidell ser branquelo e o disco não adicionar quase nada de novo à soul music, pouco importam. ou melhor, nada importam. o próprio cantor diz que é melhor não se levar tão a sério e apenas aproveitar o momento. se divertir. parafraseando “out of my system”: “Just sit back and enjoy the show/ But before it’s all over and done, I’m about to have me some fun yeah”. falou e disse.

abaixo, “another day”, a melhor do disco e candidata a melhor do ano.


até que enfim, o clipe de “semáforo”, do vanguart.


tá ligado aquela maísa, apresentadora mirim sem noção do sbt que é febre no youtube? então, resolveram dar uma zoada nela e botaram a coitada para comentar um desfile da sp fashion week. que maldade.

eu tenho medo dessas crianças adestradas tipo as gêmeas olsen, sandy & júnior ou então aquela menininha que fez a filha do tom cruise no filme “guerra dos mundos”, do spielberg. elas me dão medo. sei lá, parece que a qualquer momento a cabeça dessas crianças vai se abrir e vai sair um homenzinho de lá de dentro.


“Do me one favour, don’t throw any shit at me. If you throw something at me I’m not so sick that I can’t go down there and beat the fucking shit out of you. I may have a fucking 102 temperature and I’ve been puking for two days, but I’ll still butt-fuck you in front of your friends. Hey, you with the fucking hat on! Hey, pussy! Turn around you fucking pussy with the black hair. Turn the fuck around you chicken shit fucking faggot. Hey, you! You fucking pussy motherfucker! I will fuck you up. Come on up here. Come on up here, you fucking little faggot. You know what? Get your fucking ass up here. You’re so stupid you’ll come up here. Lift him up so I can kick him in the fucking face. Miserable fucking cunt! Go back to your mum’s house, you 12-year-old miserable dickless turd!!!”

A história é o seguinte: o queens of the stone age estava fazendo um show no último fim de semana num festival em oslo, na noruega. daí um engraçadinho resolveu jogar coisas no palco. foi só o tempo de um desses objetos acertar o vocalista casca-grossa, josh homme. o cara parou o show na hora e mandou os seguranças pegarem o cara no meio da platéia. os seguranças ficaram meio na dúvida mas mesmo assim trouxeram o rapaz para beira do palco. daí sem pensar duas vezes, o josh deu uma garrafada no moleque. hilário. o vocalista ficou MUITO revoltado. se liga na cara de assassino do josh. abaixo o vídeo.

posso falar? o moleque mereceu. ahaha. quer dizer, não precisava tacar uma garrafa no moleque mas…quem mandou provocar? e logo o josh homme??? pediu.


no último dia 09 fernanda takai esteve em ribeirão preto como uma das atrações da 8ª feira nacional do livro. além de lançar “nunca subestime uma mulherzinha”, seu livro de crônicas, ela também apresentou o show “onde brilhem os olhos seus” como parte da turnê de divulgação de seu primeiro disco solo, homônimo ao show. o disco é uma espécie de tributo a nara leão onde fernanda interpreta algumas canções que faziam parte do repertório da saudosa cantora em versões mais modernas. na banda de fernanda além de mariá portugal (excelente baterista de mão pesada) e do baixista thiago braga, também estão seus colegas de pato fu: lulu camargo nos teclados e john ulhôa (marido de fernanda) nas guitarras. 

quem foi esperando ouvir músicas de sua banda principal pode ter se decepcionado. apesar do disco ser produzido por john e ter participações de alguns integrantes do pato fu ela faz questão de frisar que uma coisa não tem nada a ver com a outra. são projetos diferentes e a idéia é justamente fazer com que eles não se misturem. e olha que não foram poucos os pedidos para tocar pato fu. eu juro que vi uma pessoa com um vinil (!?) do sexo explícito, a banda que john tinha antes de formar o pato fu, se esgoelando a cada pausa dos músicos.

assim como o disco, o show em momento algum foge do “clima de homenagem” e a cantora faz questão de, antes de cada música, explicar a história de cada uma, quem a compôs, o porquê de ela a ter escolhido para o disco etc. nem por isso o show, se torna chato. fernanda é muito fofa e ganha a simpatia de todos com suas carinhas e dancinhas desengonçadas. confesso, que tem hora que tamanha fofura chega a incomodar. principalmente quando a cantora, na tentativa de ser simpática, começa a falar com voz de criança. nada que comprometa, no entanto. nem a menina que invadiu o palco para abraçar a cantora foi capaz de tirar o humor de fernanda. ela ainda sorriu e tirou foto com a menina em cima do palco.

a banda entrou em cena sob uma base climática de teclados. logo em seguida fernanda surge no centro do palco e, na penumbra, começa a cantar “ta-hi”, sucesso de carmem miranda. seguiram-se então todas as treze canções do disco com as já citadas pausas para contação de “causos”.

“seja o meu céu” ganhou mais suíngue ao vivo com a batida forte da zabumba, “insensatez” e “luz negra” ganharam toques a lá portishead, e “diz que fui por aí” e “odeon” mantiveram a mesma simplicidade e beleza do disco. no entanto, músicas como “canta, maria”,  “estrada do sol” e “trevo de quatro folhas” tiveram suas eletronices, nuances e sutilezas abafadas e quase imperceptíveis pelo fato de o palco ser ao ar livre. tenho a impressão de que se o show fosse num lugar menor, tipo um teatro com acústica perfeita com espaço para os diversos climas do álbum, seria o show do ano fácil. debaixo dos caracóis dos seus cabelos“, e “com açúcar, com afeto não decepcionaram. abaixo o vídeo de “o barquinho”.

como o disco tem pouco mais de trinta minutos, a banda acrescentou várias canções extras ao show (nenhuma do pato fu) que vão de “ben” do michael jackson a “there must be an angel” do eurythmics e “o barquinho” (vídeo acima) cantada em japonês. abaixo a versão que eles fizeram para “ordinary world” do duran duran.

a apresentação provou que o show é mesmo de fernanda e que ela consegue vencer a timidez e segurar a platéia sozinha. john ainda está lá, mas faz questão de ficar enfiado debaixo de um chapéu e escondido no fundo do palco. é a prova de que nunca deve-se subestimar uma mulherzinha.

mais vídeos aqui.


nxrollingstonesnx.jpg

um belo dia o nx zero ficou sabendo que ia ser capa da revista rolling stone. bela chance para tentar mudar a cabeça daqueles que acham que a banda não passa de um pastiche do tal hardcore melódico e para tentar se livrar da pecha “emo” e tudo que este rótulo traz consigo. e o que eles fazem? resolvem mostrar que têm colhões (o trocadilho foi inevitável) e aceitam aparecer nus na capa da principal revista de música do país (foto acima). é impressão minha ou a revista tirou um sarro da banda? se liga na manchete: “nx zero: rock sem transgressão”.

agora eu pergunto: de quem foi essa idéia brilhante? será que a banda não sabe que existe photoshop e que com certeza essa foto ainda vai ser muito utilizada das mais variadas (e perversas) formas? pensa: um bando de homens pelados juntinhos fazendo carinha de gatinho. dá margem para um monte de piadinhas, não? sem falar na justificativa do vocalista: “isso é pra mostrar quem a gente é de verdade”. ahã…
tá ligado aquela foto dos jogadores da argentina? pois é… 


e esse lance de que, antes do kubrick pegar o projeto, o filme “laranja mecânica” ia ter trilha sonora dos beatles e o mick jagger como protagonista? sinistro.


que tal essas recriadas… no paint!?


Any Minute NowNite Versions

essas são as capas dos discos do soulwax. não entendeu? então, olhe as capas fixamente bem de perto por alguns segundos. depois se afaste. 

só fiquei sabendo disso agora. genial. 


agora é possível fazer anotações em vídeos do youtube semelhante ao que pode ser feito nas fotos do flickr. apesar de ainda possuir algumas restrições (só pode ser feito nos vídeos que você mesmo fez o upload) ainda é possível colocar links nos vídeos. não duvido nada que logo após uma versão melhorada destes recursos o youtube ofereça a opção de edição de vídeos no próprio site sem a necessidade de programas periféricos. daí sim, qualquer zé mané vai poder ter a sua própria tv personalizada.  




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