quem lembra?

claro que toda ação gera uma reação.





essa galerinha sempre teve medo das coisas, né?


olha essa notícia: “criador do megaupload conquistou liderança em jogo online ‘mais pirateado’ de 2011″. atenção para o detalhe: “ainda que pirateado, o jogo chegou a vender 15 milhões de cópias no ano passado e é um dos mais vendidos do mundo”. mentira.

lançado em novembro de 2011, “call of duty: modern warfare 3″ é apenas o maior lançamento da indústria do entretenimento da história. nada vendeu mais que este game no dia do lançamento, nem harry potter, nem star wars, nem michael jackson. nada.

kim dotcom, um dos fundadores do site, publicou o vídeo abaixo para mostrar que é o líder do ranking online do call of duty. pensa: o inimigo número um da indústria do entretenimento é um gordinho quarentão de bochecha rosa que passa o dia inteiro comendo doces e jogando videogame.

É MUITA TROLLAGEM.


ia ser massa.



depois dos protestos do começo da semana, quando a internet (incluindo pesos pesados como o google) se uniu contra o sopa, o dia de ontem foi marcado pela ação do fbi que retirou do ar o megaupload, site de compartilhamento de arquivos. além disso, numa ação internacional (e até onde eu sei o fbi só pode atuar nos eua), a polícia prendeu sete integrantes da empresa, inclusive seu fundador, kevin Schmitz, sob a acusação de terem violado direitos autorais.

como era de se esperar, não tardou muito para vir o contra-ataque. na noite de ontem o grupo anonymous (responsáveis por, entre outras coisas, catapultar os protestos occupy ao redor do planeta) atacou diversos sites entre eles os da riaa (indústria da música), mpaa (indústria do cinema), gravadoras, além do departamento de justiça americano e do fbi.

mas a grande questão é entender porque apenas o megaupload foi tirado do ar enquanto outras dezenas de sites com o mesmo propósito (rapidshare, 4shared, mediafire, etc) não tiveram o mesmo tratamento. vale dizer que, depois do que aconteceu ontem, dificilmente haverá algo parecido contra eles tão cedo.

o grande argumento do fbi contra o megaupload é de que o site infringe as leis de direitos autorais, obtendo lucro através do compartilhamento de obras pelas quais ele não paga um centavo sequer aos seus proprietários (que por acaso, são as instituições citadas acima, e não os artistas em si).

não sei se você se lembra, mas no comecinho do ano surgiu um vídeo na internet onde vários artistas de peso como willi.am, p. diddy e kanye west pediam o apoio do público ao megaupload, alegando que ele ajudava e muito na divulgação da cultura em geral, especialmente de suas obras.

logo depois o universal music group mandou retirar o vídeo do youtube gerando uma enorme celeuma nas redes socias. a movimentação foi tão grande que as pessoas começaram a repostar o vídeo a todo momento até que a justiça americana voltasse atrás na decisão de banir o ditocujo. se você não viu, veja:

só que o que talvez você não saiba é que o atual ceo do megaupload é o produtor de rap kasseem dean, também conhecido como swizz beatz, que inclusive ganhou um grammy no ano passado ao lado do jay z. talvez você também não saiba que ele é casado com a alicia keys que sozinha já ganhou CATORZE grammys e já vendeu mais de 30 milhões de discos.

ou seja, é tudo gente da pesada de DENTRO da indústria. ao tirar o megaupload do ar, a indústria do entretenimento está dando um belo tiro de bazuca no próprio pé, como sempre.

a grande razão para tamanho esforço contra apenas um site específico é que o megaupload estava dando uma imensa banana para a indústria do disco e já estava em vias de lançar o megabox.com, um site que permitiria a artistas venderem suas criações diretamente aos consumidores, sem intermediários e com uma margem de lucro de cerca de 90%.

ou seja, a única razão para a existência de projetos como o sopa é que hoje a internet possibilita comunicação, construção e conhecimento fora dos grandes conglomerados.

a indústria do entretenimento e de mídia em geral (jornais, tvs, rádios) ainda não aceitou que seus modelos de negócio são arbitrários e ultrapassados e que por isso está tendo que largar o osso na marra.

ora, se o megaupload é pirataria, o youtube também é. assim como o facebook e qualquer outra mídia onde as pessoas compartilhem músicas, filmes e qualquer obra que não tenha sido criadas por elas mesmas.

sendo bem radical: aquela frase da clarice lispector que você bota todo pimpão no seu msn também é pirataria, pois você está compartilhando uma obra que não é sua sem pagar por isso. entende o absurdo da coisa? a melhor analogia até o momento vem deste texto: é como punir o carteiro por causa do conteúdo das cartas.

a questão aqui não é a abolição do conceito de direitos autorais e sim a flexibilização deste conceito. as leis precisam entender que compartilhamento não é pirataria. aliás, esta idéia de pirataria e o próprio conceito de “direito autoral”, como o conhecemos hoje, foi uma invenção para proteger os interesses da disney, né?

“monopólio é coisa do passado, véi!”

aproveito para reproduzir um trecho do comunicado oficial do pirate bay sobre o sopa. o texto original está aqui. mas também dá para lê-lo traduzido para o português aqui.

A razão pela qual eles estão sempre reclamando sobre “piratas” hoje é simples. Nós fizemos o que eles fizeram. Nós contornamos as regras que eles criaram e criamos as nossas. Nós esmagamos o seu monopólio, dando às pessoas algo mais eficiente. Nós permitimos às pessoas terem uma comunicação direta entre si, contornando o rentável intermediário, que em alguns casos tomam mais de 107% dos lucros (sim, você paga para trabalhar para eles). É tudo baseado no fato de que estamos em competição. Nós temos provado que a existência deles na sua forma atual não é mais necessária. Nós somos apenas melhor do que eles são.

E a parte engraçada é que as nossas regras são muito semelhantes às ideias dos fundadores dos EUA. Nós lutamos por liberdade de expressão. Vemos todas as pessoas como iguais. Acreditamos que o público, não a elite, deveria governar a nação. Acreditamos que as leis devem ser criadas para servir o público, e não as corporações ricas.

Rupert Murdoch estava feliz com o MySpace e não tinha problemas com a sua própria pirataria até que falhou. Agora ele está reclamando que o Google é a maior fonte de pirataria no mundo – porque ele é ciumento. Ele quer manter o seu controle mental sobre as pessoas e claramente você consegue obter uma visão mais honesta das coisas na Wikipedia e no Google do que na Fox News.

Alguns fatos (anos, datas) provavelmente estão errados neste comunicado à imprensa. A razão é que não podemos obter estas informações quando a Wikipedia está fora do ar. Por causa da pressão dos nossos decadentes concorrentes. Pedimos desculpas por isso.

por mais que se questionem os métodos adotados por grupos como o wikileaks e o anonymous (e eles são bem questionáveis) hoje em dia é inadmissível ser cínico e fingir que nada está acontecendo.

o que ocorre hoje certamente terá consequências na cultura e no modo de vida das pessoas nos próximos dez, quinze anos (talvez até menos dada a velocidade do mundo de hoje), assim como os desdobramentos do napster e a bolha da internet pavimentaram o nosso modo de vida atual.

o fato de a polícia federal americana ter tirado um site como o megaupload do ar desta maneira é sim um ataque gravíssimo ao direito de liberdade de expressão. sem falar que se a indústria e o governo dos eua não conseguem evitar que seus sites sejam tirados do ar, como é que eles querem mandar no funcionamento do resto da internet?

muito embora, de acordo com as leis atuais, o site compartilhasse arquivos ilegais, muita gente também perdeu arquivos com obras autorais com esta decisão. eu mesmo perdi vários arquivos de texto e áudio, produzidos por mim mesmo e cujos direitos autorais são 100% meus, que eu enviava para amigos e para motivos profissionais. ninguém me pediu autorização para deletá-los.

mesmo que o presidente barack obama tenha se declarado contrário ao sopa, é bom lembrar que o fbi responde diretamente ao presidente. portanto, ele é sim responsável pelo maior ataque ao compartilhamento de arquivos até hoje. e tudo isso justamente no dia em que ele visitou… a disney! é tipo um tapa na cara.

e para quem acha que todo esse papo é uma besteira, apenas espere o momento em que começarem a politizar pesado este assunto para ver se as coisas não mudam. nada como um ano de eleição para políticos e organizações começarem a tomar atitudes diante do mais leve cheiro de batata assada. tanto dá resultado que hoje o sopa foi retirado da pauta pelo congresso americano.

é curioso que a geração que mais se beneficia da rede é sempre aquela que atira a primeira pedra tentando desmerecê-la. ações como a de ontem são muito mais simbólicas do que qualquer outra coisa. são guerras simbólicas, guerrilhas comunicacionais, guerra através e pela linguagem, entende?

coincidência ou não, ontem a kodak, uma das empresas que ajudaram a definir o século xx, declarou falência devido ao avanço das tecnologias digitais. quer mais simbolismo do que isso?

esse papinho de revolução do sofá está mais caduco que a minha avó e já passou da hora de encarar a web com mais maturidade. não seria muito melhor se todas as guerras e revoluções fossem travadas na web, de forma pacífica, sem derramamento de sangue e mortes?

sem falar que a internet é apenas um meio, não um fim. não duvido nada que as pessoas comecem a ir para rua protestar e exigir liberdade na web. vocês já esqueceram de qual foi a linha evolutiva da primavera árabe e dos movimentos occupy?

nada mais natural que um ato sobre internet aconteça majoritariamente na internet, não? o melhor de tudo é que, ao contrário de qualquer outro meio de comunicação, a internet é um meio ativo que é feito por todo mundo. se as pessoas forem passivas a internet simplesmente não existe.

entendam: a internet É a rua. a rua É a internet.

vada a bordo, cazzo!

_____________

*** leia mais:

o conceito de “direito autoral” é uma invenção da disney

tudo é remix

porque “pirataria” é um conceito obsoleto e afeta da música à medicina


você deve ter acompanhado que durante todo o dia alguns sites (dentre eles, a wikipedia, a revista wired, o wordpress e até o google) ficaram com tarjas pretas ou então exibiam comunicados contra o s.o.p.a (stop online piracy act). pois é, trata-se de um protesto contra um pacote de leis, também conhecido como p.i.p.a (protect IP act) que está em vias de ser aprovado nos eua, muito embora o obama tenha se declarado contrário ao projeto.

se aprovadas, estas leis permitirão que hollywood, gravadoras, e empresas de mídia (como jornais e tvs, por exemplo) censurem todo e qualquer contéudo que elas acharem que infringem seus direitos autorais na web. só que o buraco é mais embaixo, isso também poderia minar o direito de expressão na internet e servir como pretexto para barrar protestos online.

o vídeo abaixo explica a coisa toda. assista:

uma vez aprovadas nos eua, este pacote abriria jurisprudência para que leis semelhantes sejam aprovadas em outros países. e você sabe (ou deveria saber) que aqui no brasil já tem um pacote bem similar só esperando para ser aprovado, né?

a lei azeredo, também conhecida como ai-5 digital, tramita com urgência na câmara dos deputados.


olha que lindeza esse troço chamado internet. alguém resolveu organizar todas as demos* de “strawberry fields” em ordem crononológica para contar o processo de feitura da música.

é sabido que lennon começou a compor a música na espanha durante as filmagens do longa “how i won the war”, de 1966, no qual ele faz uma participação como ator. no entanto, o vídeo especula, com imagens do lennon tocando o que parece ser a introdução da música, que ele já vinha remoendo a canção desde 1964, durante a primeira turnê dos beatles pelos eua.

a partir daí, as demos mostram que ao voltar para a inglaterra lennon começa, em casa, a experimentar andamentos e instrumentos diferentes para dar um clima mais psicodélico e onírico à canção até consolidar a idéia por trás da letra.

já em abbey road, ele mostra a música para a banda, que começa a pirar: botam guitarras, tiram guitarras, mudam o tom e a melodia até que o ringo cria aquelas viradas de bateria que realmente consolidam “strawberry fields forever” como, dizem alguns (eu não), a melhor música do john lennon.

por fim, fica a cargo do george martin botar a cereja no bolo quando ele resolve fazer uma versão orquestrada e com andamento mais rápido. ainda insatisfeito, john lennon opta por juntar as duas versões e criar um épico. martin então liga o foda-se e pira na batatinha: bota a fita de trás pra frente, junta as duas versões, insere mais overdubs aqui e acolá e pronto, nascia ali um clássico.

no livraço “sgt pepper’s – um ano na vida dos beatles e amigos” (recomendo demais), o autor clinton heylin explica porque a eterna insatisfação de lennon com “strawberry fields”, que foi mixada e remixada várias vezes (prática que os beatles sempre evitaram. naquela época a banda tinha uma regra: não mexer mais nas músicas que já estavam “prontas”). reproduzo um trechinho abaixo:

“quanto mais pessoal fosse o assunto, menos lennon parecia propenso a incluir mccartney no processo de composição. nesse sentido, ele rompia com seu passado de fab no momento exato em que reexaminava a infância conturbada de uma alma sem afeto. em “strawberry fields”, era evidente que lennon buscava identificar a intensa sensação de pertencer a outro mundo, que revivera em recentes viagens de ácido em um tempo e espaço específicos: a liverpool do pós-guerra e o orfanato local.

john lennon“strawberry fields” é minha primeira tentativa de expressar esse sentimento. o segundo verso diz: ‘no-one i think is in my tree’. bem, o que tentei dizer nesse verso foi: “ninguém é tão moderno quanto eu, portanto devo ser um louco ou um gênio”. é o mesmo problema que eu tinha com 5 anos: “tem algo errado comigo porque parece que eu vejo coisas que outras pessoas não vêem. e isso é assustador quando se é criança, porque não sobra ninguém com quem se relacionar. por isso eu pertencia a um clube exclusivo que enxerga o mundo nesses termos. o surrealismo é uma realidade para mim. a visão psicodélica é uma realidade para mim, e sempre foi”. [1980]

assista ao vídeo e chape:

* estas demos presentes no vídeo foram lançadas em “strawberry lane”, um cd pirata duplo da secret trax, que também contém as mixagens alternativas de “penny lane”.


segundo a descrição no youtube, o vídeo acima mostra a nina simone voltando pra casa depois de vários anos e tocando a música “i’m going back home”, de rudy stevenson, acompanhada da filha, lisa lawson, enquanto sua mãe, mary kate waymon (já doente), é só alegria na cama.

as imagens foram tiradas do filme “nina simone the legend” (1991).

que foda.


elimina estria e celulite, aponta estudo.


ontem eu estava de bobeira passeando pelo youtube quando dei de cara com o trailer deste filme nacional chamado “2 coelhos”. o que me chamou a atenção é que trata-se de um filme de ação e o trailer mistura várias linguagens (tem até uma parte emulando “grand theft auto”) e efeitos especiais que remetem à “matrix” ou mais recentemente, “inception”.

“2 coelhos” é o primeiro longa de afonso poyart (diretor de videoclipes e publicidade) e teve o trailer exibido pela primeira vez no ano passado durante o festival de paulínia. olha a sinopse do filme:

“Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação que a maioria dos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que só age com o auxilio da corrupção. Cansado de ser vítima desta situação, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos e elabora um plano que colocará os criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos.

Na medida que o plano de Edgar é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e um amor que ele jamais esqueceu. 2 Coelhos é um enigmático suspense de ação onde cada minuto vale mais que todo o passado”.

olha o trailer:

procurando mais informações sobre o filme encontrei esta reportagem do cinejornal do canal brasil acompanhando as filmagens. e o diretor diz que tentou fazer uma parada meio irmãos cohen, se liga:

continuo achando que o que falta para o cinema brasileiro atual é um pouquinho mais de ousadia. acho válido quando alguém tenta fugir da comédia ou do drama (aparentemente os únicos gêneros que vingam por aqui). mas se este filme já tiver um roteiro bom com começo, meio e fim já está de ótimo tamanho.

procurei no site oficial e no blog da produção (ambos defasados), mas foi no facebook mesmo que encontrei uma data de estréia do filme nos cinemas: 20 de janeiro.

tomara que seja bom mesmo, sempre fico com o pé atrás quando o trailer de um filme me empolga muito. principalmente depois de saber que o diretor veio da publicidade e que usaram música daquela banda do jared leto no trailer (essa música toca até em propaganda de banco, né?).




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